50 famílias sem-terra invadem estação ferroviária em Restinga


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Sem-terra montam acampamento em área pertencente à União. Grupo é de Franca e região
Sem-terra montam acampamento em área pertencente à União. Grupo é de Franca e região

A antiga estação ferroviária do Mandihu, em Restinga, foi ocupada na madrugada desse sábado por cerca de 50 famílias sem-terra de Franca e região. Organizado pelo MST (Movimento dos Sem-Terra), o grupo invadiu o local por volta das 4 horas e promete não sair.

Ontem, as famílias passaram o dia montando barracas e arrumando o prédio que servia de sede da estação para que fosse instalada uma cozinha comunitária.

A invasão foi planejada há alguns meses. Segundo Mauro Garcia, um dos organizadores do acampamento, a área foi escolhida por pertencer à União. “Nós cadastramos as famílias que querem voltar às suas origens e viver do campo. São em sua maioria pessoas carentes que se mudaram para as cidades em busca de oportunidades e não conseguiram nada. Ocupamos aqui porque é do governo federal e mais fácil de se tornar um assentamento.”

A área de 84 alqueires fica a cerca de sete quilômetros da Zona Urbana de Restinga. Ela já foi ocupada por famílias sem-terra no início do ano. “O grupo precisou sair porque a Justiça concedeu a reintegração de posse”, disse Garcia.

Para evitar uma nova ordem judicial, os organizadores já notificaram o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) sobre a ocupação e pediram que a área seja transformada em um assentamento.

Esperança
A catadora de café desempregada, Nadir Marcelino, de 63 anos era uma das que montavam barraca no acampamento na manhã de ontem. Ela morava em Pedregulho e há alguns anos se mudou para Franca atrás de oportunidades de trabalho. “Achei que seria mais fácil. Me arrependi, mas não tinha mais como voltar atrás.” Para ela, o acampamento é a chance para conseguir um pedaço de terra. “É só o que eu quero.”

Ela deixou a casa que morava em Franca com outras 13 pessoas da família para ir para o acampamento de onde não pretende sair. “Já estou velha e não tenho para onde ir”, disse Nadir.

Um pedreiro desempregado que pediu para não ser identificado também deixou a casa alugada que morava com a família em Restinga para ir para o acampamento. Ontem ele estava montando sua barraca. “Eu vim porque não sei mais o que fazer. Quero ter minha terra e viver sossegado.”

Segundo Mauro Garcia, a expectativa é que pelo menos 20 famílias sejam beneficiadas caso o pedido para a criação do assentamento seja aceito pelo Incra.

Recorrente
Esta é a segunda grande invasão de terras que acontece em Restinga só neste ano. Em abril, um grupo de cem pessoas ocupou uma faixa de terra às margens da rodovia que liga Restinga a Franca.

Veja as imagens:

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