Em meio a campanhas para captação de doadores de medula óssea, uma decisão do Hemocentro de Franca tem revoltado voluntários e famílias de pacientes que precisam com urgência de um transplante. O órgão limitou dias e horários de coleta com a justificativa de falta de capacidade e autonomia para receber grandes campanhas.
Desde o início desta semana, as amostras são coletadas apenas de terça a sexta-feira, das 7 ao meio-dia. Isso, segundo a diretora do Hemocentro de Franca, Terezinha Serve, é uma “logística” criada para conseguir atender apenas aquilo que o Estado autoriza. “Não temos uma estrutura física para fazer grandes campanhas nem autorização da Hemorrede para colher em um único mês infinitos cadastros de medula óssea. O Redome [Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea] também tem um limite. Não adianta fazermos as coisas acima da estrutura que o banco suporta. Podemos atender todo mundo ao longo do ano, mas não podemos colher tudo em um único mês e superar a capacidade do serviço.”
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, a limitação do número de doadores no Redome vai além de uma determinação estadual. “Seguimos recomendações do Ministério da Saúde.” A portaria que regula este número é federal e estabelece para o Estado uma cota de no máximo 72.110 cadastros de doadores voluntários de medula óssea por ano.
Segundo Terezinha, desse total, são destinadas por mês para a região do Hemocentro de Ribeirão Preto cerca de 1.500 amostras. Para Franca, que faz parte dessa região, sobram cerca de 200 por mês. “Então o que adianta eu colher 200 por dia? O que eu vou fazer com essas amostras? Seria incoerente com as pessoas que estão doando. Não posso colher uma coisa que não vou processar depois”, disse a diretora.
O Comércio tentou na tarde de ontem contato com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, mas as ligações não foram atendidas.
Desespero
A família de Carolina Parzewske, que aos 33 anos luta contra a leucemia, não se conforma com a medida tomada pelo Hemocentro de Franca e prepara uma representação no Ministério Público Federal para “derrubar” a portaria que limita o número de doadores. “Vários amigos e pessoas foram lá doar hoje [ontem] e eles não aceitaram as doações. Liguei lá e perguntei se devemos parar com as campanhas, mas não podemos porque nosso tempo é muito curto”, disse a mãe da jovem, Rita de Fátima Parzewske.
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