O trabalho escravo é parasitismo social. O Brasil continua sendo um país escravocrata, logo, parasita. Desde 1995, quando o governo federal criou o sistema público de combate a esse crime, mais de 42 mil pessoas foram libertadas do trabalho escravo no Brasil.
Segundo estimativa da OIT, há, no mundo, pelo menos, 12 milhões de escravos, mas não há estimativa confiável do número de escravos no Brasil. Na zona rural, as principais vítimas são homens, entre 18 e 44 anos. Na zona urbana, há grande quantidade de sul-americanos, principalmente bolivianos. Nos bordéis, há mulheres e crianças nessas condições. Dos libertados entre 2003 e 2009, mais de 60% eram analfabetos ou tinham apenas quarto ano incompleto. O Maranhão é o principal fornecedor de escravos, e o Pará, o principal utilizador.
As atividades na qual trabalho escravo mais se encontra na zona rural são: pecuária bovina, desmatamento, produção de carvão para siderurgia, produção de cana-de-açúcar, de grãos, de algodão, de erva-mate, de pinus.
Nas cidades, em oficinas de costura e canteiros de obras. Uma das formas clássicas do parasitismo é o social, que ocorre quando classe dominante (por exemplo: senhor de engenho), de forma indevida, injusta e/ou imoral, seja por meio da violência, seja por intermédio da fraude, se enriquece ou obtém vantagem mediante apropriação ou exploração do trabalho ou os bens da classe dominada (parasitada).
Há várias outras formas de parasitismo, como o empresarial, o funcionarial, o situacional, o político etc. Desgraçadamente, o parasitismo faz parte da nossa formação cultural. É um dos males de origem do Brasil. Enquanto não eliminado ou drasticamente reduzido, estamos condenados ao atraso, às barbáries, em suma, à ausência de civilização.
Luiz Flávio Gomes
Jurista
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.