Uma reforma para todos


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Diante dos fatos que se acumulam nos últimos dias -- o caso da Síria, votação do Mensalão no STF e espionagem dos EUA que atingiu a Petrobras, entre diversos outros --, perderam espaço no noticiário os trabalhos da comissão criada na Câmara dos Deputados para definir a reforma eleitoral que poderá ser submetida ao referendo dos brasileiros. E no Senado também não é diferente: um esboço de minirreforma quase foi aprovado no começo da semana tirando dos políticos a responsabilidade do pagamento das multas decorrentes de condenações pela Justiça Eleitoral. Ou seja: multas e condenações pecuniárias passariam a ser saldadas pelo Fundo Partidário. Em tese, o contribuinte acabaria arcando com mais este ônus. Diante da pressão contra, o dispositivo foi tirado do texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça.

Esta seria mais uma revelação da distância que os legisladores brasileiros se encontram em relação dos anseios de seus eleitores. Encastelados em Brasília, aparentemente não consideram que as manifestações de junho passado sejam o verdadeiro grito de revolta da população. Não percebem que todos estão revoltados com a classe política do País, sempre associada ao fisiologismo, à corrupção e ao corporativismo que move grande parte de seus membros. Não se viu, desde os protestos de junho, iniciativas genuínas que buscassem realmente contemplar os brasileiros indignados que foram para as ruas exigir, além de melhorias nos serviços essenciais, que os homens públicos ajam com respeito para quem lhes deu seus mandatos ou cujo voto permitiu a sua nomeação.

O que se exige é que a classe política mude completamente a sua forma de agir, aproximando-se mais dos seus eleitores e buscando atender aos seus anseios e necessidades. Exige-se que legisladores e administradores públicos passem a encarar a população brasileira com mais seriedade. Já vai longe o tempo em que o eleitor, em razão da falta de informações, era tratado como um ignorante e capaz de esquecer até o nome de quem elegeu nas últimas eleições. As manifestações de junho deixaram claro que a realidade hoje é completamente diversa.

Com o advento da Internet, embora a rede mundial de computadores comporte qualquer tipo de informação, os brasileiros — principalmente os mais jovens — passaram a ter acesso, em tempo real, a todos os fatos e acontecimentos cotidianos. Não se pode mais esconder, nem nos locais mais afastados do País, qualquer tipo de notícia. O eleitor fica sabendo imediatamente de qualquer fato que envolva políticos, assim como ocorre com artistas e todo o tipo de figura pública. Por isso, seria melhor nossos legisladores buscarem ouvir — e há um canal aberto na Internet para isso — o que todos nós esperamos de uma reforma política. Até agora, foram defendidos apenas os interesses da minoria que cria, aprecia e vota as leis que afetam a vida de milhões de brasileiros. Espera-se que este quadro mude, já que ainda existe a possibilidade de que a revolta verificada em junho retorne com mais força, causando à classe política danos e prejuízos que dificilmente poderão ser revertidos.

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