Escolas municipais inauguradas este ano funcionam sem faxineira


| Tempo de leitura: 3 min
Pátio da Escola ‘Maria Antônia Stevanato Reis’, no Jardim Paraty. Pais denunciam que local é limpo por merendeiras
Pátio da Escola ‘Maria Antônia Stevanato Reis’, no Jardim Paraty. Pais denunciam que local é limpo por merendeiras

As cinco escolas municipais de ensino básico inauguradas neste ano pela Prefeitura de Franca estão funcionando sem faxineiras ou com apenas uma profissional. Pátio, salas de aula e banheiros só não estão com sujeira e lixo acumulados porque outros servidores, como porteiros, merendeiras e inspetores, acabaram assumindo a limpeza.

Na EMEB (Escola Municipal de Ensino Básico) “Professora Maria Antônia Stevanato Reis”, no Jardim Paraty, o serviço que deveria ser feito por ajudantes gerais está sendo dividido entre as merendeiras e os porteiros. “Elas ficam responsáveis pelo Pátio e as salas de aula e eles pela limpeza dos banheiros”, disse um dos funcionários da unidade que preferiu não se identificar.

A escola começou a funcionar em fevereiro e foi inaugurada pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) em abril. Segundo pais e alunos, desde então, a unidade que conta com 750 estudantes espalhados em 12 salas de aula nunca contou com ajudantes gerais. “A gente sabe que são os outros funcionários que fazem a limpeza, mas nem sempre conseguem limpar tudo como deveriam”, disse a avó de um aluno do 3º ano, que também não quis se identificar.

Não muito longe dali, no Jardim Piratininga, a recém-inaugurada escola do bairro também sofre com a falta de faxineiras.

Segundo os pais, o acúmulo de sujeira no pátio e nos banheiros é uma rotina. “Meu neto sempre reclama que o cheiro é muito ruim. Perguntei para a inspetora o que estava acontecendo e ela disse que a escola não tinha faxineiras”, disse Rosa Aparecida Marques, 63, sapateira aposentada.

Na escola, a diretora que se identificou apenas como Juliana, disse que a unidade conta com apenas uma faxineira para as 15 salas de aula, parte administrativa, pátio e banheiros. Segundo ela, havia outra ajudante geral, mas ela pediu aposentadoria.

De acordo com funcionários da Secretaria Municipal de Educação, o quadro se repete nas unidades inauguradas este ano na Vila Real, Jardim Pulicano e Jardim Luiza II.

Reestruturação
Procurada pela reportagem para comentar o assunto, a secretária municipal de Educação, Fabiana Sampaio, negou que as unidades estejam funcionando sem faxineiros. “Toda unidade conta com pelo menos um ajudante geral. Essa é a nomenclatura do cargo”, disse, mas não soube informar quantos ajudantes gerais estariam trabalhando exatamente em cada uma das escolas.

Informada de que os próprios funcionários das unidades confirmaram a falta de faxineiros, a secretária disse que, na verdade, há um déficit de profissionais na rede por causa das licenças médicas e aposentadorias. “Temos casos assim todos os dias. Mas não existe falta”. Ela também não soube dizer qual seria exatamente o déficit de profissionais nas unidades.

A secretária também afirmou que, por conta das licenças e aposentadorias, as unidades e o quadro de funcionários estão passando por uma reestruturação. “Estamos em fase de análise para ver se contratamos a partir de concursos ou terceirizamos este tipo de serviço”.

Ela também informou desconhecer o fato do serviço de limpeza precisar ser exercido por outros funcionários. “O que sei é que realmente mudamos alguns servidores de unidades e eles não ficaram satisfeitos”.

Questionada sobre quando os serviços de limpeza das novas escolas municipais será regularizado, a secretária foi evasiva. “Em breve. Não temos uma data específica. Ainda estamos no meio do processo de reestruturação, mas estamos atentos ao que está acontecendo”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários