A decisão da Prefeitura de eliminar 329 vagas de estacionamento no Centro parece não ter mudado a rotina de muitos francanos. Pelo menos é o que se pode depreender ao se observar as ruas das quais as vagas foram cortadas. Os motoristas ignoram os cortes e continuam parando seus veículos nos locais em que estavam habituados. Ontem, o Comércio circulou pelo Centro e em apenas uma hora flagrou dezenas de veículos estacionando em locais proibidos.
Alguns alegam desconhecimento da nova regra, como o proprietário de um Fiat Prêmio, que estava parado na Campos Sales e não quis se identificar. Ele esperava seu sobrinho sair da Escola Industrial. “Sempre paro aqui. Tenho até o cartão da Área Azul e pensei que ainda funcionava assim”, disse, apontando para uma placa indicando um local de venda dos cartões. Outro motorista, que também pediu para não ser identificado, sabe dos cortes, mas não se conforma. “Isso é uma palhaçada! Eles fazem isso para tirar dinheiro do povo [com multas]. Por que deixar as coisas mais difíceis?”, indagou.
As infrações flagradas pela reportagem se deram com mais frequência nos locais de parada rápida, o famoso “só um minutinho” dos condutores, especialmente nas proximidades de bancos. “Nessa correria diária, não posso andar quatro quarteirões só para sacar R$ 10 no banco”, disse o auxiliar de escritório Júlio Ferreira Ribeiro, 42.
Mas há quem apoia a medida. “O trânsito está fluindo melhor”, disse o sapateiro Wanderson Santos, 26. A mesma opinião tem a vendedora Rosinete Oliveira, 45. “Nunca encontrava vaga para parar mesmo. Então, agora, pelo menos, a gente consegue andar melhor.” Outro favorável à mudança é o universitário Pedro Henrique Medeiros, 22. “Achei que a situação está bem melhor assim. Agora, com mais espaço, o trânsito flui bem.”
Se o corte aparentemente divide a opinião dos motoristas, entre os comerciantes não acontece o mesmo. A grande maioria não aprovou a mudança. Pesquisa feita pela Acif mostrou que dos 198 lojistas instalados nas ruas afetadas pelos cortes, 81% são contra a medida. A Acif pediu ao secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, uma intervenção. Mas ele disse que alterações não estão previstas em um primeiro momento.
TEMPO AO TEMPO
Criado com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito, o programa “Trânsito Melhor” ainda não terminou de ser implantado. Trechos da Major Claudiano, Couto Magalhães, Ouvidor Freire e Saldanha Marinho ainda sofrerão cortes, em data a ser definida. “São mudanças feitas para melhorar a vida do francano”, disse Buranelli. Em relação às irregularidades, o secretário disse que os motoristas precisam se acostumar com as mudanças. “Fizemos nossa parte, avisando com antecedência e sinalizando todas as áreas modificadas. Agora, precisamos da colaboração da população”, disse.
A colaboração espontânea, se não vier, virá por meio da “dor no bolso”. O comandante do Pelotão de Trânsito, o tenente Marcel da Silva Pereira, disse que o volume de multas “aumentou bastante” na área central após os cortes e lembrou que a multa por parar em local proibido vai de R$ 80 a R$ 127.
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