Toda a polêmica em torno de espionagem americana sobre comunicações de outros países, inclusive o Brasil, — até nas comunicações da presidente Dilma Rousseff e seus ministros — parece brincadeira. Qualquer usuário mediano de internet sabe que existem 13 servidores-raiz no mundo e que 10 deles estão nos EUA, dois na Europa e um na Ásia. Não é preciso ser especialista para compreender que o detentor de um sistema, além de operá-lo, tem acesso a seu conteúdo e pode utilizar, seja o uso legal, ou ilegal. Então, o mais seguro é não utilizar o sistema para guarda de informações estratégicas.
Vemos o ex-presidente Lula aconselhar Dilma a dar um popularesco ‘guenta’ no presidente Barack Obama, dele exigindo explicações. Obama poderia, diplomática ou pessoalmente, dar milhões de explicações e todas elas serem rejeitadas pelo Brasil e outras ‘vitimas’ da indiscrição americana. Justificaria com a preocupação do seu país com segurança. Nem precisaria dizer que a bisbilhotagem existe tanto em nível de governo quando empresarial; só que, dessa vez, sua existência vazou.
Governos são dotados de serviços de inteligência e informação que cuidam de sua segurança. Durante o período militar foi o SNI, que mudou de nome mas, mesmo com arroubos democráticos, ainda faz arapongagens. Também tem serviços especializados das Forças Armadas, dos quais a presidente é a comandante-em-chefe. Todos esses, custeados pelo dinheiro público para dar proteção ao Estado brasileiro, falharam. Deveriam ter alertado as autoridades e já trabalhado em meios eficientes de segurança para suas comunicações. Teriam de saber, inclusive, que todo usuário sofre indiscrição de seu prestador de serviços. Usar supersevidores, a maior parte deles operada pelo governo dos EUA, deveria ser risco calculado.
Portanto, toda essa discussão não leva a nada. Pode, no entanto, ser o ‘boi de piranha’ para desviar a atenção do povo dos verdadeiros e urgentes problemas nacionais.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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