Exportações: cenário ruim


| Tempo de leitura: 2 min

Ao contrário do que a equipe econômica do governo vem alardeando, ao comemorar números mínimos do PIB (Produto Interno Bruto) e da queda da inflação, o setor produtivo brasileiro continua numa verdadeira saia justa, diante do recrudescimento da exportação, que no correr deste ano tem apresentado índices cada vez mais preocupantes e pode chegar, em dezembro, a números próximos do negativo. É uma situação bastante delicada, uma vez que se o setor produtivo não conseguir repetir o bom momento de outras épocas, toda a economia brasileira acabará contaminada.

Estimativas da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe) apontam que as exportações brasileiras devem fechar 2013 praticamente estagnadas enquanto as importações subirão 4,6%. Se concretizado esse cenário, o saldo positivo nas trocas comerciais do Brasil com outros países alcançaria US$ 8,9 bilhões neste ano, muito aquém dos US$ 19,4 bilhões de 2012. O resultado seria o mais baixo desde 2001, quando o superávit da balança comercial brasileira foi de apenas US$ 2,6 bilhões.

De janeiro a agosto, o País registrou um déficit de US$ 3,76 bilhões. O Banco Central, no entanto, ainda trabalha com projeção de superávit de US$ 7 bilhões no fechamento do ano, embora tenha analista prevendo que em 2013 ocorrerá o primeiro déficit em 13 anos. As estimativas da autoridade monetária, que podem ser revistas neste mês, incorporam expansão de 2,2% nas exportações e de 8% nas importações.

Em relação à região como um todo, o relatório “Panorama da Inserção Internacional da América Latina e do Caribe”, divulgado ontem no Chile, indica um saldo comercial positivo de US$ 8 bilhões neste ano, queda brusca em relação aos R$ 41 bilhões registrados no ano passado. O organismo das Nações Unidas espera uma expansão de 1,5% no valor das exportações dos países que compõem o grupo e de 4,5%, nas importações. A taxa de crescimento do valor das exportações seria similar à verificada em 2012 e reflete elevação de 3% do volume exportado e redução de 1,5% nos preços.

De acordo com a Cepal, a “incipiente” recuperação dos Estados Unidos deve beneficiar as vendas do México e dos países da América Central ao passo que a recuperação lenta da Europa e a desaceleração da China afetarão negativamente as exportações dos países da América do Sul. Se por um lado a recuperação da economia norte-americana ajuda no crescimento das exportações de alguns latinos, o documento afirma que o fim dos estímulos monetários nos EUA pode trazer como consequência um menor crescimento da região, em consequência da fuga de capitais.

Diante deste quadro desanimador, a indústria brasileira — e a francana, que vê suas exportações caírem ano a ano — tenta encontrar soluções. O mercado interno não registra uma demanda aquecida como nos últimos anos, mesmo depois da crise global de 2008. Por tudo isso, o setor — ainda à mercê da oscilação cambial recente — se preocupa, já que o perigo de queda na produção e, consequentemente, no nível de emprego, é real.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários