Cerca de 40 trabalhadores de Jaú (SP) protestaram ontem em frente à fábrica Fashion Code, em Franca. Com cartazes e gritando palavras de ordem, os funcionários disseram que “vieram atrás das promessas” da proprietária da empresa, a francana Marília Celini. Há duas semanas, a empresária teria prometido pagar os salários dos 160 funcionários, mas teria recuado.
Com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Jaú (STICJ), os funcionários chegaram cedo à porta da fábrica, localizada no Jardim Petráglia. “Resolvemos de imediato tomar alguma atitude e, a princípio, o que podemos fazer é vir aqui e mostrar para ela que não vamos desistir”, disse o representante do sindicato Wellington Oliveira.
Revoltados, os trabalhadores caminharam ao redor do prédio da fábrica várias vezes gritando “Marília, cadê você, eu vim aqui só receber”. Eles tocaram o interfone e chamaram os funcionários que estavam dentro da fábrica para se juntar a eles, mas foi em vão. “Pretendemos vir com mais pessoas. Não sabemos como está o pagamento do pessoal aqui de Franca, mas em Jaú são 160 famílias que estão sem receber. Uma coisa é a pessoa quebrar, falir e não tem como pagar, e outra coisa é se recusar”, disse a funcionária Flávia Santos.
O início
Segundo os funcionários, tudo começou na última sexta-feira de agosto, dia 30, quando Marília Celini teria chegado de helicóptero e, com três caminhões, retirado todos os sapatos existentes na fábrica de Jaú - cerca de 12 mil pares. Sem entender o que estava acontecendo, os trabalhadores tentaram impedir a saída do último caminhão em busca de explicações.
Segundo o representante do sindicado, a empresária disse que precisava levar os sapatos para faturar e pagar no quinto dia útil os salários dos funcionários. “Na semana passada ela ligou, pediu para disponibilizarmos a sede do Sindicato e dar suporte para fazer os pagamentos, mas ela não compareceu. Agora só conseguimos falar com a advogada dela, que pede para nós colocarmos na posição de quem não tem obrigação de pagar esse pessoal, porque eles não trabalham para ela.”
O outro lado
O Comércio da Franca entrou em contato com a advogada da empresa, Nádia, que não quis revelar seu sobrenome. De início, ela disse que não tinha nada a declarar “por enquanto”. Depois afirmou: “A única coisa que eu tenho a declarar é que o empregador se chama Fúlvio Mantelli, proprietário da F. Mantelli, e é a pessoa que registou eles”.
A reportagem ligou na noite de segunda-feira para os telefones da empresa, em Jaú, mas os números não existiam ou a ligação não era atendida. Da lista telefônica, não constam telefones no nome passado pela advogada.
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