Quantos de nós já assistimos à essa cena: primeiro uma corridinha meio indignante, porque meio cambaleante e arquejada, depois porque normalmente as atletas não eram aquelas coisas. A custo, segurava-se a penosa, abria-lhe as asas no chão, as chinelas havaianas a lhes mostrarem a superioridade do oponente. Pronto, a vida por um fio, o prato plástico ao lado, sedento de sangue: a pá de cal, a água fervendo lá dentro. A matança dominical da galinha foi coisa corriqueira na vida de quase todos nós, muito embora jamais tenha deixado de causar comoção, acho.
Mas que fique claro, a galinha morta pela mãe, avó ou tia da gente é uma coisa, a galinha morta por um astro pop é outra coisa. Deu um buchicho danado a aparição do super chef Alex Atala (restaurante D.O.M., 6º do mundo) no simpósio realizado na Dinamarca a convite do mega chef René Redzepi (restaurante Noma, 2º do mundo).
O evento é diferente, meio louco, dizem, e se chama MAD, parece até referência àquela revista, lembram? Mas não é isso, comida em dinamarquês é mad, só isso. Debaixo de uma tenda de circo, um palco rústico, o coffee break constituído de frutas jogadas num cocho. O evento elegeu por tema o reino vegetal, leia-se frutas e vegetais. Uma ideia vegetariana que defende a vida digna para animais e a dispensabilidade da carne.
Alex Atala foi o último a expor, fechou o evento e arrebatou corações e mentes, assim disseram. Ele próprio esclareceu que sua intenção foi fazer um paralelo entre comida e morte. Se “buquês são flores mortas num lindo arranjo”, aquele prato artístico e sublime servido nos seus restaurantes e nos daqueles chefs todos ali reunidos é morte também. Acho que vocês já devem ter lido a respeito, mas para quem não leu, Atala executou uma cena dramática. O César dos cozinheiros apoderou-se de uma galinha e com o polegar criou a tensão, para cima: a galinha vive, para baixo: a galinha morre. Claro, a galinha foi degolada ali mesmo, ao vivo, no palco. A fala final dele foi: a morte acontece. Mais tarde se viam pessoas trajando camisetas pretas com esses dizeres. Alexandra Forbes, repórter e crítica, que lá estava, disse que o brasileiro é considerado entre seus pares como: másculo, exótico e rústico.
Assisti ao vídeo e achei sem graça; ler a respeito ficou mais interessante. Fiquei um pouco confusa: Atala é caçador em terra e mar, jamais questionou a carne como alimentação, o evento era sobre o reino vegetal e ele matou uma galinha. Ele deve adorar essa fama de mau. Foi o mais fotografado e ovacionado.
DICA DA SEMANA
Peras em conserva
Para 6 peras maduras, você precisará: 500gr de açúcar, 250ml de vinagre de vinho branco ou tinto, cravos da índia, 1 colher (chá) de pimenta da Jamaica, 7cm de canela em pau. Descasque, retire o miolo e parta em 8 pedaços. Cubra de água e ferva por 5 minutos. Coe o caldo e meça, deverá ter 3 xícaras. Cozinhe o caldo, as peras e o resto até estarem macios. Retire as peras e deixe-as descansarem até o dia seguinte. Ferva o caldo e despeje nelas. Armazene e sirva em um mês!
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.