Sobre capuzes e manifestações


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O Sete de Setembro, a principal data cívica do País, quando se comemora a Independência do Brasil, pode voltar a registrar manifestações em diversos pontos do Brasil. Como em junho passado, manifestantes prometem tomar as ruas de assalto neste sábado exigindo mudanças. Não há uma pauta comum: ela engloba protestos contra a classe política, a corrupção e o baixo investimento em saúde e educação, entre diversas outras reivindicações. A promessa é que tudo ocorra no mesmo horário em que serão realizados desfiles, principalmente nas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, além da capital Brasília, onde se espera a presença da presidente Dilma Rousseff, alguns de seus principais colaboradores e os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

A legitimidade dos protestos (o direito de se manifestar) é garantida aos brasileiros. Agentes de segurança já se colocam de prontidão para evitar que as ações programadas para hoje descambem para a algazarra, vandalismo e destruição de bens públicos e privados. Pois aí é que reside o perigo: os grupos Black Bocs, reconhecidamente reprimidos nas últimas manifestações em São Paulo e no Rio de Janeiro depois de participarem de vandalismo sempre usando capuzes, começam a encontrar resistências inclusive junto a quem sai às ruas. A Justiça do Rio de Janeiro, por exemplo, garantiu à polícia o direito de exigir a identificação de quem cobre o rosto durante passeatas.

Por causa disso, falou-se muito nos últimos dias em liberdade de expressão, repressão e muitas outras palavras de ordem que cabem à perfeição nas manifestações que se preparam para hoje, mas que, é preciso reconhecer, não se enquadram neste caso quando se sabe que os Blacks Bocs deixam claro que a intenção é investir contra ‘símbolos do capitalismo burguês e dos governos que se dobram ao imperialismo norte-americano’, como eles mesmo gostam de discursar. E os quebra-quebras se sucederam nas manifestações realizadas em São Paulo e até recentemente no Rio de Janeiro, desagradando os demais participantes.

Quem busca protestar livres de segundas -- e violentas -- intenções, forçosamente, não precisa usar máscaras ou capuzes. E nas manifestações populares que chacoalharam o País em junho passado, milhões de pessoas tomaram conta das ruas de cara limpa. Conseguiram assustar a classe política brasileira, em todos os seus níveis, a ponto de conseguir a regressão do aumento no transporte coletivo em diversas cidades, além de obrigar o Congresso Nacional a aprovar uma série de matérias de interesse popular. Mesmo diante da repressão um pouco mais violenta, não houve a necessidade de se esconder. O que se espera, agora, é que as manifestações, se realizadas, exibam a mesma tranquilidade que os seus participantes pregam, sem mascarados, sem violência e sem arruaças. Do contrário, pode perder qualquer legitimidade que se dê a estes movimentos. Afinal, o brasileiro descobriu o valor de sua voz, de seu protesto, e isso não pode ser abandonado, com o risco de que todo o avanço conseguido até aqui tenha sido em vão. É preciso que a voz das ruas volte a fazer a diferença na busca de um País melhor, mais humano, mais justo e, principalmente, menos violento.

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