Indefinição em questões políticas de Restinga confunde população


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Artur Cândido, que votou em Pitt, condena a Câmara por tirar o cargo do prefeito e da vice
Artur Cândido, que votou em Pitt, condena a Câmara por tirar o cargo do prefeito e da vice

Um misto de revolta e confusão tomou conta da população de Restinga. Após 25 dias da cassação do prefeito Paulo Pitt (DEM) e da vice Luciene Martins (PRB) alguns moradores desconhecem quem está à frente da Prefeitura. “Está tudo uma bagunça. Muda a toda hora. Nem sei quem é o prefeito hoje. Mudou de novo?”, questionou a sapateira Maria das Graças Damasio, 32, moradora no bairro Nova Restinga.

Ela faz coro a dezenas de outros moradores ouvidos pela reportagem. Entre eles, há quem esteja inteirado do processo, mas não concorde com o mesmo. É o caso do pedreiro Artur Cândido da Silva Junior, 28. Ele sabe quem ocupa o cargo de prefeito, mas condena a maneira com que a Câmara Municipal tirou o mandato de Pitt e Luciene. “Quase todos os vereadores têm processos. Se fosse assim então, deveriam terminar o mandato dois ou três”, ressalta.

A indefinição de quem comandará a cidade pelos próximos três também anos deixa os moradores indignados. “Isso é brincadeira! A gente vê a queda de braços que é dentro da cidade e não pode fazer nada”, disse a dona de casa Aparecida Cruz. Enquanto a Justiça não define se reconduzirá a vice Luciene ao cargo - conforme mandado de segurança impetrado por ela um dia após a cassação - ou se convocará nova eleição, o prefeito interino, Fernando Costa (PSB), está no comando. Ele diz que está se “empenhado” para melhorar os serviços prestados à comunidade. E há quem aprove. “Ele [Costa] tem sido bom para a cidade. Se dedica muito aos esportes. O pessoal tem gostado”, disse o serralheiro Rodrigo Ferreira, 30.

Na Justiça
A Câmara Municipal de Restinga informou à Justiça sobre a cassação de Pitt e Luciene somente na semana passada, 15 dias após a decisão dos parlamentares. A Justiça Eleitoral de Franca informou que aguardará o trânsito em julgado da ação de cassação antes de convocar nova eleição. Esta semana, o promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges deu parecer favorável à recondução da vice-prefeita ao cargo. O juiz da Vara da Fazenda Pública Aurélio Miguel Pena ainda não julgou o caso.

Pré-candidatos
Pelo menos quatro nomes despontam no cenário pré-eleitoral: os ex-prefeitos Amarildo Nascimento (PMDB) e Paulo Robim (PP) e os vereadores Fernando Costa (PSB) e Leonardo Neves Cintra (DEM). “Não vamos rachar o grupo”, disse Costa.

O prefeito cassado, Paulo Pitt, estará fora da próxima disputa eleitoral. Por conta da cassação ficará inelegível por 8 anos. Ele não foi encontrado para falar sobre a possibilidade de indicar um nome para o pleito. O ex-prefeito Ivanildo Donizete Montagnini (PSC), o Zetão, não atendeu as ligações do Comércio para confirmar se é pré-candidato.


CRONOLOGIA

• Abril/13 Câmara de Restinga cria comissão para investigar denúncias contra o prefeito Paulo Pitt (DEM) e sua vice, Luciene Martins (PRB).

• Junho/13 Justiça concede liminar e barra os trabalhos da comissão, sob a alegação que investigação caberia ao Ministério Público. Liminar cai um mês depois.

• Agosto/13 Trabalho da comissão é concluído. Relator pede a cassação do prefeito e vice. No dia 13, Câmara analisa os resultados das investigações e cassa os mandatos de Pitt e Luciene.

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