Um casal de moradores do Jardim Dermínio passou por um verdadeiro teste de paciência, ontem, após ter casa e carro furtados. Segundo as vítimas, uma viatura só apareceu na rua para verificar o crime depois de pouco mais de duas horas e meia de espera e os policiais sequer registraram a ocorrência. Os moradores contaram que seguiram por meios próprios até a 5º Companhia para fazer o registro da ocorrência.
Há suspeitas de que o Copom (Comando de Operações da Polícia Militar) - local onde são atendidas as ligações feitas pelo telefone 190 e que migrou recentemente de Franca para Ribeirão Preto - não tenha repassado as informações para os policiais locais. Em oportunidades anteriores o sistema foi criticado pelos francanos sob a alegação de terem feito chamados que não teriam sido atendidos.
O setor de assuntos civis do 15º Batalhão da Polícia Militar do Interior, sediado em Franca e responsável pela região, foi comunicado sobre o problema e prometeu que irá investigar.
O furto
Segundo a coladeira Bruna de Carvalho Martins, 24, às 13h15 ela pegou seu telefone e pediu socorro à PM. A mulher acabara de ver seu portão de entrada aberto e notado a falta de 2 televisores, 1 aparelho home theater e 1 DVD levados por bandidos não identificados, que provavelmente usaram seu carro, uma Parati cinza, na fuga do local do crime. Segundo a coladeira, após informar seu endereço (cruzamento entre a rua Major Moura Mattos e Avenida Ministro Rui Barbosa) e passar os dados ao atendente, foi prometido que em pouco tempo uma viatura seria deslocada para sua casa para o registro da ocorrência. Cansado de esperar e usando sua motocicleta, o mecânico de manutenção Mateus Rodrigues de Freitas, 27, decidiu ir até a 5º Cia da PM comunicar o furto qualificado. Segundo um oficial do regimento, foi dada toda a atenção ao caso, irradiando alerta da placa do carro furtado para todas as viaturas em patrulhamento pela cidade juntamente com a elaboração do boletim de ocorrência.
Duas horas depois e após outras duas tentativas frustradas, ninguém apareceu. “É um descaso com o cidadão que paga seus impostos. Só queria que a PM viesse aqui para dar um jeito, principalmente achar o carro que sumiu”, disse a vítima.
O Comércio foi à residência da família onde se aguardava uma viatura. Foi feito novo contato com o Copom informando o furto. O atendente disse que além de não haver solicitação anterior, também não constava uma rua de nome Major Moura Mattos. Foi informado então o nome da avenida e o número da casa. Pouco depois, segundo as vítimas, uma viatura chegou, mas logo foi embora, pois como o mecânico havia feito a queixa na Compania não seria possível registrá-la novamente.
O OUTRO LADO
Corporação vai apurar
O setor de assuntos civis do 15º Batalhão de Polícia Militar do Interior, com sede em Franca, informou ontem que irá contatar o casal envolvido e, posteriormente, o Copom de Ribeirão Preto para obter maiores informações e apurar o ocorrido.
Informalmente, um oficial da 5ª Companhia da PM, responsável pelo patrulhamento da área do Jardim Dermínio, esclareceu ontem à noite que assim que o mecânico Mateus de Freitas comunicou pessoalmente o furto em sua casa, cerca de 40 minutos depois do fato, todo procedimento padrão para este tipo de crime foi adotado. Ele lembrou que o casal havia sido alvo de uma tentativa de furto dois dias antes (terça-feira) e disse que também na ocasião todo apoio possível foi dado.
Sobre ontem, o oficial ofereceu uma explicação. Ele sustenta que ao ser elaborado o boletim na 5ª Companhia, as solicitações anteriores feitas, via 190, tenham sido “canceladas” do sistema.
“É muito comum eles (Copom) receberem várias solicitações para um mesmo crime, então é dado baixa nas demais para evitar duplicidade”, contou o policial.
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