Falta confiança


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O Ministro Mantega teria acordado a Presidente logo de manhã, sexta-feira, para dar-lhe boas novas sobre o desempenho da economia. Os dados do IBGE que o Ministro comemorava referiam-se ao segundo trimestre do ano, em comparação com os meses de janeiro a março, quando a economia brasileira teria crescido 1,5%. É o melhor neste tipo de comparação desde o primeiro trimestre de 2010, quando a alta foi de 2%. No primeiro trimestre de 2013, o crescimento só alcançou 0,6%. O setor agropecuário foi destaque (+3,9%), seguido pela indústria (+2%), e serviços (+0,8%). Ousamos questionar: há sustentabilidade?

Os números são alvissareiros, mas temos de ter cuidado antes de soltar rojões. Em primeiro lugar, pelos períodos a que se referem. Estamos cotejando o primeiro com o segundo trimestre de 2013. Segundo, foi no mês de junho que começaram as manifestações populares que fizeram verdades virem à tona, obrigando o governo a se mexer. Por fim, foi a partir de julho que surgiram ‘escaramuças’ contra o dólar.

O governo, pelo Ministro da Fazenda, pretendeu nos fazer ver que a felicidade havia chegado à terra. Não era e não é bem assim. O dólar despencou e até agora, no ano, a moeda norte-americana subiu 15,91%, ainda que a Presidente afirme que ‘tem bala na agulha’, certamente pensando nas reservas de US$ 372,8 bilhões. A inflação já chegou ao topo da meta e não há taxa Selic, mesmo com dois dígitos, que a faça baixar. Dos investimentos necessários, continuamos esperando, muito embora o ano já esteja no fim e é chegada a hora de preparar o orçamento para 2014. Com hipóteses e previsões realistas.

Com tudo isso, aonde chegamos? A verdade é que estamos enfrentando séria crise de confiança. Os agentes econômicos (consumidores, empresários, autônomos, especialistas) estão conscientes das incertezas, da fragilidade institucional e descrentes da capacidade de o governo reverter o jogo.

Vicente de Paula Oliveira
Economista pela FEA USP

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