José Antônio Machado Júnior, 19, não foi a primeira vítima deste trânsito cada dia mais perigoso que Franca apresenta. E, infelizmente, não será a última. É forçoso reconhecer que trafegar pelas ruas da cidade torna-se um risco cada vez mais alto, não apenas por causa da imprudência e da irresponsabilidade. A desatenção também tem uma grande parcela de responsabilidade pelo que vemos hoje. A morte do jovem atirador, que emocionou a cidade — ainda mais quando se descobriu que ele atravessou a rua quando o sinal estava aberto, ao contrário das declarações do motorista atropelante —, deve servir de alerta para a grave situação, causada principalmente pela formação deficiente dos condutores.
Mais do que isso, o desabafo do pai do jovem, José Antônio Machado, pelas ondas da rádio Difusora, ontem, deve ser encarado como um pedido de socorro de todos os pais que têm filhos motociclistas, motoristas ou pedestres. É um apelo pela prudência, pela responsabilidade e por um trânsito mais humano e menos perigoso. É um desabafo que deveria ser ouvido por todos os que hoje transformam seus veículos em máquinas de matar.
As autoridades que disciplinam o trânsito, em todo o País, precisam encontrar uma fórmula capaz de transformar a própria essência do brasileiro, para quem leis e regras existem para serem quebradas. Enquanto persistir essa visão — e há quem se vangloria dela —, dificilmente seremos capazes de uma verdadeira revolução como a que conseguiu a Alemanha, que está perto de conseguir uma marca inédita: nenhuma morte nas estradas decorrente de acidente de trânsito. E olha que lá não existe limitação de velocidades como aqui.
Já passou da hora da Prefeitura, junto com a Polícia Militar e até com a Guarda Civil, fazer valer a limitação de velocidade em toda a cidade. As placas apontam para um limite de 60km/h nas chamadas vias expressas (como avenidas Presidente Vargas e Ismael Alonso y Alonso), o que dificilmente é cumprido. Há quem se gaba da capacidade de correr, sem que leve em consideração a vida humana — nem a própria ou muito menos dos demais que ocupam as mesmas ruas. O problema, que é bastante sério — quando se sabe que o trânsito brasileiro mata mais do que conflitos armados pelo mundo, como já demonstramos aqui neste mesmo espaço — deve se tornar uma preocupação de todos.
A partir do momento em que um candidato se matricula para tirar a sua carta de motorista — a famosa CNH (Carteira Nacional de Habilitação) —, a preocupação maior não deve ser fazê-lo passar nos exames (teórico e prático). Deve-se, acima de tudo, tentar fazê-lo assimilar os fundamentos das leis de trânsito, da sinalização e também das consequências de seus erros e acertos ao dirigir um veículo automotor pelas ruas da cidade. Os cursos hoje existentes deveriam se preocupar com a real capacitação do condutor. Muitos saem sem a mínima condição de enfrentar o trânsito, que em certos momentos se torna caótico, desumano e violento. Isso precisa mudar, urgentemente.
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