Nos, educadores, muitas vezes não somos capazes de mensurar os danos que causamos aos alunos, filhos e nas pessoas a nós vinculadas. A professora Dieli, do doutorado, trouxe alguns exemplos de equívocos praticados por professores, mas que acabaram se transformando em sucessos em razão do olhar diferenciado de outros professores/profissionais. Eram casos de alunos considerados ‘problemáticos’. Um aluno com 7 anos de idade ‘não’ conhecia cores. Apresentavam a cor vermelha e ele dizia que a cora era ‘roxo’. Coitado, foi tachado de tudo; contudo, uma professora ao perguntar sobre a sua origem, qual idioma ele falava, descobriu que o aluno havia aprendido as cores em espanhol, cujo nome para a cor vermelha é rojo. O aluno conhecia as cores, mas falava em seu idioma, que era o espanhol.
Outro caso foi o de aluna que queria ser professora de português. Embora fosse educada e dedicada não conseguia ser aprovada. Não desistia nunca. Psicopedagogas iniciaram trabalho com ela e descobriram que, durante sua vida, ouviu da mãe que, ‘antes a obrigação, e depois a devoção’.
A aluna tinha como obrigação cuidar da casa, dos pais, dos irmãos e trabalhar. Estudar era a devoção, só podia ocorrer depois que a obrigação tivesse sido cumprida. Dá pra imaginar o estado físico, emocional e psicológico que a acompanhavam à sala de aula. As psicopedagogas fizeram com que ela entendesse que a escola, agora, era obrigação, e devoção’, seria as outras coisas. A aluna conseguiu se reprogramar, focou nos estudos, concluiu o curso de letras e hoje é professora. Compartilhei isso com alguns alunos. Sei que trabalham o dia todo, ajudam em casa, chegam exaustos à sala de aula, dedicam-se ao estudo, mas o esgotamento é profundo. Os frutos dessa partilha foram excelentes. Um, me disse: professor, você disse tudo o que eu precisa ouvir. Obrigado! Outros choraram e aplaudiram.
Acredito que choro e aplauso foram para eles mesmos, sinal que são capazes de se formar mesmo diante de tantas obrigações.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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