A suspensão do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) da rede municipal de ensino, no início do mês passado, desagradou e confundiu a população. A explicação da Prefeitura sobre as razões que a levaram a suspender o programa não convencem. O Comércio recebeu dezenas de manifestações de francanos indignados com o fim do programa. A prefeitura alegou que “o volume de programas adotados na rede de ensino atrapalha o desenrolar da grade curricular”. Essa semana, a secretária municipal de Educação, Fabiana Sampaio, ouvida novamente, disse que a pasta está estudando a possibilidade de abordar temas como o combate as drogas durante as próprias aulas. “A educação precisa estar em constante mudança e melhora”, disse ela, mas não deixa clara a exata razão da suspensão e que o cancelamento definitivo não está confirmado.
Mas a pergunta permanece: por quê um projeto bem aceito e com 16 anos de história na cidade foi suspenso? O sargento aposentado Marcelo Mambrini, que trouxe o Proerd para Franca, vê a decisão como um “retrocesso” (leia mais nessa página). O conselheiro Ilton Sérgio Ferreira disse que o Conselho Tutelar é favorável à manutenção do Proerd na rede municipal de ensino. “Aqui não há um centro de recuperação ou tratamento eficaz para jovens. O ideal é que haja a prevenção para que as crianças não entrem na droga, porque, depois que elas entram, é complicado. Tudo o que pode evitar que os jovens usem drogas deve ser feito”, disse. A professora da escola municipal “Florestan Fernandes”, Isilda Silva, também lamenta a decisão. “O Proerd orientava as crianças, o que é muito importante na periferia, onde a minha escola está (ela fica no Jardim Vera Cruz I). E o programa não falava só de drogas ilícitas, mas também de fumo e álcool”, disse.
Indignação
Entre vários pais e alunos entrevistados pelo Comércio, o sentimento é de indignação. O comerciante Amauri Ferreira, 40, que tem dois filhos que passaram pelo Proerd na rede municipal, é um dos que são contra a medida. “Até hoje minha filha, de 19 anos, fala sobre o programa. Ele ensina a não mexer com as drogas, que, em Franca, viraram uma epidemia”, disse. A estudante do 4º ano da Emeb “Professor Paulo Freire”, Julya Oliveira, 9, estava animada para participar do Proerd em 2014, mas, com o fim do programa na rede municipal, também lamenta. “Conheci o Proerd quando minha prima fazia. Ele é muito bom, eu sei até as músicas”, disse. “As drogas são o que há de mais perigoso hoje em dia. O Proerd ensina as crianças a se afastarem delas, então ele tinha que continuar”, disse a mãe de Julya, a cozinha Edimara de Oliveira, 26. As palavras da leitora Cláudia Faleiros resumem o sentimento que permeou os comentários no portal GCN: “Triste! Um dos meus filhos participou deste programa quando estudou na Escola “Adalgisa”. Vejo o quanto foi importante a presença do Proerd na sua formação. Hoje, com 17 anos, algumas vezes ainda comenta com os irmãos menores sobre o que aprendeu com aquela policial fardada. Será realmente que um programa preventivo em relação às drogas que tanto absorvem nossas crianças e adolescentes pode realmente atrapalhar alguma coisa na vidas destas crianças? Se atrapalha... alguém me explica por favor?”.
Polícia Militar
Em nota, a Polícia Militar do Estado de São Paulo esclareceu que o Proerd vai continuar em toda a rede estadual de ensino e em algumas escolas particulares. Com a suspensão, os instrutores foram remanejados para escolas em Pedregulho, Cristais Paulista e Estreito. Para o próximo semestre, a PM estuda a possibilidade de abranger outros municípios da região.
A Polícia Militar local preferiu não se pronunciar sobre o caso. No entanto, em comunicado enviado à reportagem do Comércio no dia 2 de agosto, a chefe da Seção de Comunicação Social da PM, a capitã Andreza Bérgamo, informou que a corporação foi avisada por telefone da suspensão, e que a Prefeitura só pretende debater o assunto no ano que vem. Ela acrescentou que o Proerd é um programa para crianças do 5º e 7º ano do Ensino Fundamental. No ano passado, 64 escolas públicas e particulares participaram do programa, num total de 6826 estudantes beneficiados.
O Proerd foi criado em 1992 pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, que utilizou como base o D.A.R.E. (Drug Abuse Resistance Education), um programa desenvolvido nos Estados Unidos. Por meio de aulas, ministradas por um PM fardado, os alunos aprendem a ficar longe das drogas.
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