Viver sem pretensões


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Deus sempre quer o nosso bem e nunca deseja que estejamos longe dele. Portanto, nos evangeliza, por meio da sua Palavra. Neste domingo o coração bondoso de Deus nos ensina a ocupar o último lugar. Meditemos com a Palavra de Deus: Eclesiástico 3, Hebreus 12, Lucas 14.

PRIMEIRA LEITURA — ECLESIÁSTICO 3: ‘Sê modesto comporta-te como uma pessoa humilde’, aconselha Sirac ao seu discípulo. Humilde é aquele que, tendo consciência das próprias qualidades, se coloca a serviço de todos, considera os outros como seus senhores, que podem exigir dele tudo aquilo de que necessitam. A pessoa humilde conserva a sua cabeça inclinada, como quem está sempre disposto a receber ordens dos superiores. Glorifica a Deus porque o que dá glória a Deus é a felicidade do homem e é a pessoa humilde que estabelece relações que trazem a felicidade, que acabam com o egoísmo, com a competição, com a ostentação, e fazem reinar no mundo as atitudes de intercâmbio generoso dos dons de Deus.

SEGUNDA LEITURA — HEBREUS 12: Os judeus que se tinham convertido ao cristianismo continuavam tendo uma certa saudade da religião dos seus antepassados. O autor da carta procura orientá-los, fazendo uma comparação entre a religião antiga, representada pelo monte Sinai, e a religião cristã, que tem como símbolo a nova Jerusalém.
Os cristãos não se aproximam do monte Sinai para ter uma experiência assustadora de Deus; eles se aproximam de Cristo, passam por uma experiência religiosa completamente diferente: é uma experiência festiva, porque em Jesus descobrem o rosto de Deus, amigo dos homens.

EVANGELHO — LUCAS 14: O Evangelho de hoje está ambientado na casa de um fariseu que, num sábado, depois da liturgia da Palavra na sinagoga, convida Jesus para uma refeição. Os costumes do povo de Israel dão muita importância à hierarquia e os lugares são distribuídos com muito cuidado: no centro os notáveis, ao lado do dono da casa e depois todos os demais, por ordem de idade. Esta é a etiqueta, mas há sempre alguém que gosta de aparecer. Jesus assiste, divertido, a esta ginástica. A uma certa altura, conta a primeira parábola: “Quando fores convidado às bodas, não te sentes no primeiro lugar, mas vai tomar o último ,para que, quando vier o que te convidou, te diga, amigo, passa mais para diante; então serás honrado na presença de todos. Lucas relata o episódio porque sabe que nas suas comunidades há discórdia. Sabe que, não obstante as exortações do Mestre, os anciãos, os dirigentes dos diversos ministérios, se deixam levar pela ambição.
Depois, Jesus se dirige ao fariseu que o tinha convidado: ‘Quando deres alguma ceia, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem parentes, nem vizinhos ricos. Convida pobres, aleijados, coxos e cegos. É preciso dar início a um novo tipo de banquete”.
Seu discurso não tem como destinatário o fariseu, mas todos aqueles que, em nossos dias, na comunidade cristã, estão encarregados de organizar o banquete do reino. São eles que devem ter a coragem de seguir os critérios de Deus, critérios opostos aos que são adotados pela nossa sociedade.
Concluindo a sua exortação, Jesus afirma: dando acolhida aos que todos rejeitam ‘serás feliz, porque eles não têm com que te retribuir; mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos’.
Quando os homens fazem alguma coisa, calculam cuidadosamente, em geral, as vantagens que podem auferir. É raro encontrar alguém que preste ajuda a um desconhecido, Jesus aconselha a fazer o bem aos que não têm como retribuir. Por quê? Para ter a recompensa no céu responde ele.

Monsenhor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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