Ouvir vozes, ser chamado pelo nome, escutar ruídos insistentes, são sintomas indicadores da mediunidade. Isto, depois de eliminadas as causas materiais dos fatos.
Sim, podemos nos iludir pelos nossos sentidos.Miragens fazem-nos crer no que não existe. Por isso, segundo o ensino da Doutrina Espírita, o melhor é tirar todas as hipóteses materiais para depois acreditar numa ação espiritual.
Não quer dizer que não haja, ou não possa haver, a ação espiritual. Nossos adversários, ou mesmo aqueles que se comprazem com o mal, podem aproveitar nossas carências espirituais e potencializar nosso sofrimento. Através de entrevista publicada na Folha de São Paulo, em 15 de maio deste ano, soubemos que alguém que sofria delírios e dizia ouvir vozes. Depois, com a doença sob controle, escreveu livro em parceria com seu psiquiatra. Evidentemente, esquizofrenia não é tarefa de um Centro Espírita. Não que não haja casos para os quais a intervenção mediúnica consiga curas admiráveis. Mas, para que ocorram é indispensável que haja merecimento de quem padece de algum mal, e que aspira a cura material.
Voltando ao assunto das vozes, antes de definir a necessidade de estudo mais profundo da mediunidade, há que se verificar outros sintomas, a exemplo de percepção de vultos, sensação de crescimento e aumento dos membros superiores e inferiores, sonolência, sonhos, dormências, desejo incontrolável de escrever, bocejos e vontade de dormir.
Ainda assim, não basta a constatação desses sintomas, ou ausência deles para conformar ou negar mediunidade.
Em seguida, é absolutamente necessário o estudo da capacidade mediúnica, em Centros Espíritas devidamente capacitados para desenvolver o estudo.
Só assim é possível entender o fenômeno de se ouvir vozes e poder entender o que realmente está acontecendo. Sem isso, corre-se o risco de se confundir uma coisa com outra.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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