Em que pese o otimismo demonstrado pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, não há motivo para se comemorar o crescimento de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre do ano. Embora esteja acima das expectativas do mercado, o índice continua muito abaixo do que seria necessário para representar a retomada da aceleração econômica dos setores produtivos brasileiros. No correr do dia de ontem, economistas ouvidos pelos mais variados veículos de comunicação do País foram unânimes em recomendar cautela quanto aos números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A maioria dos especialistas avalia que, embora a atividade econômica tenha voltado a acelerar no período, a melhora não se refletirá em um crescimento muito mais forte neste ano, semelhante ao verificado antes da crise. Segundo os especialistas, em meio à desaceleração mundial e à diminuição da capacidade de manobra do governo para estimular a economia, a retomada só deverá ocorrer de forma mais expressiva em 2015.
No momento não há sinais claros de que a economia brasileira vá crescer acima de 2,2% neste ano -- o governo aposta em crescimento de 2,5%. Há quem garanta, mesmo diante do PIB divulgado ontem, que a variação positiva do índice não deverá passar de 2%. Ou seja, este desencontro nas avaliações deixa claro que não existem, pelo menos até o momento, sinais consonantes quanto ao desempenho esperado até o final do ano. O aquecimento da indústria e o excepcional desempenho do agronegócio ainda não são sustentados pelo setor de serviços, que vem apresentando desempenho abaixo do esperado nos últimos quatro trimestres.
Deve-se ressaltar que a taxa atual contrasta consideravelmente com a estimativa inicialmente feita pelo governo no ano passado. A previsão que constava no orçamento de 2013 enviado ao Congresso apontava um crescimento de 4,5% para a economia neste ano. Ao longo dos meses, entretanto, o índice foi gradativamente reduzido. De 4,5%, caiu para 3,5%, depois para 3%, até chegar aos atuais 2,5%. Para se atingir o inicialmente previsto pelo governo, o crescimento por trimestre teria de girar em torno de 2,1%. E, é bom lembrar, o resultado do primeiro trimestre de 2013 foi de apenas 0,6%.
De acordo com os especialistas, as estimativas para o desempenho da economia no segundo semestre, especialmente de julho a setembro, não são nada animadoras. Para eles, o período refletirá uma atividade econômica mais fraca, em parte devido aos efeitos negativos da alta do dólar, diante da perspectiva de que os Estados Unidos reduzam os estímulos à economia. Os economistas destacam que fatores internos também tendem a forçar um recuo do PIB. Diante de tudo isso, é melhor não demostrar otimismo apenas com os números atuais. Como recomenda o ditado popular, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. O melhor é esperar para ver o desempenho global até o final do ano, para que não se corra o risco (mais uma vez) de comemorar antes da hora.
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