Nos últimos tempos, a Câmara Municipal de Franca vem se notabilizando por tentar agir em surdina, utilizando-se de manobras inexplicáveis para tentar camuflar projetos que, notadamente, seguem uma corrente diametralmente oposta à conjuntura atual. São trapalhadas que acabam transformando os vereadores — com poucas e honrosas exceções — em motivo de suspeitas e até piadas por parte dos eleitores. A sessão da última terça-feira foi mais uma prova deste tipo de atuação que tenta dissimular as reais intenções dos legisladores frente a seus eleitores: os vereadores aprovaram em primeira votação o aumento dos salários de seus assessores. Com a decisão, o salário será reajustado de R$ 2.691 para R$ 3.282.
Porém não foi a aprovação que causou uma verdadeira revolta nos francanos, conforme pôde se confirmar pelos comentários postados em redes sociais. Mas a forma como o projeto foi encaminhado. A matéria que concede aumento aos assessores foi apresentada no fim da sessão em regime de urgência. Nenhuma informação havia sido disponibilizada pela Câmara à imprensa e nem constava da ordem do dia distribuída com antecedência. Tudo para não chamar a atenção. Além disso, em poucos segundos foi aprovada com 12 votos favoráveis. Apenas Márcio do Flórida (PT) e Claudinei da Rocha (PP) votaram contra.
O reajuste dos assessores (que, somado a benefício aprovado em março perfaz um aumento em torno de 36% nos vencimentos desde janeiro, enquanto a maioria das categorias de trabalhadores da cidade não soma 10% por ano) é aprovado em um momento bastante delicado, não só para a economia como para a política brasileira. Além de ir contra qualquer aumento salarial concedido em todo o território brasileiro, os legisladores fazem a festa com o bolso alheio. Afinal, quem paga salários e cobre as demais despesas da Câmara de Vereadores são os contribuintes francanos.
Os vereadores têm verdadeira consciência de que a aprovação não seria vista com bons olhos pelos francanos. Do contrário, o projeto de resolução não teria sido apresentado em surdina, esperando-se que ninguém percebesse: a Câmara estava esvaziada — os mais de 200 servidores e camelôs que ali pressionavam por matérias de seu interesse já tinham ido embora —, mas não vazia. A imprensa, como sempre, estava lá cumprindo o seu papel. Agora, espera-se que o Legislativo francano coloque o assunto em discussão e realmente ouça os seus eleitores quanto a este aumento, o qual terá que ser aprovado em segundo turno para poder vigorar. Somente assim é que a Câmara Municipal voltará a ser encarada como a ‘casa do povo’ e não apelas como uma casa onde os vereadores fazem o que querem, o que bem entendem e não dão voz a seus verdadeiros patrões, os eleitores. Então, é melhor que tudo isso seja levado em conta, porque as trapalhadas em sequência estão aborrecendo profundamente a comunidade francana.
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