Quando se esperava que a situação estivesse normalizada na rua Vicente Richinho (Distrito Industrial), o pancadão volta com força total para atormentar quem mora e trabalha naquela região da cidade. Em fevereiro, reportagem do Comércio denunciou a baderna generalizada que tumultuava a via nos finais de semana. Depois de alguns meses, a reportagem deste jornal testemunhou a bagunça novamente e constatou que o que houve foi apenas um arrefecimento da situação nos primeiros dias. O batidão explodiu no último final de semana, entre quinta-feira e domingo, a partir da meia-noite.
Matéria publicada na edição mostra que o local tornou-se mais uma vez terra de ninguém, com o consumo irrestrito de drogas e de bebidas alcoólicas, carros estacionados em local proibido (em cima da calçada ou no meio da rua), motoristas pilotando carros e motos em alta velocidade, música em volume bem acima dos decibéis suportados e mulheres seminuas dançando funk sobre carros e marquises. E com um detalhe: no meio de tudo isso, menores de idade.
Há seis meses, depois da repercussão da reportagem do Comércio, autoridades prometeram uma ação ostensiva para impedir esta reunião que incomodava não apenas empresários e moradores da região, mas também grande parte da comunidade francana, que não viu com bons olhos o evento. Porém, depois que a poeira baixou, o pancadão volta a ser realizado no mesmo local sem que ninguém aponte uma saída que o impeça definitivamente.
Diante da situação, que volta a apresentar o mesmo panorama verificado em fevereiro passado, é mais estarrecedor ouvir das autoridades que elas desconheciam o retorno da bagunça na rua Vicente Richinho. Polícia Militar, Polícia Civil, Conselho Tutelar, Promotoria da Infância e da Juventude e Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania anunciam medidas que, como em fevereiro, dificilmente serão efetivas. É preciso, acima de tudo, que a legislação brasileira conceda ferramentas para que as autoridades constituídas identifiquem, responsabilizem e punam quem participa deste espetáculo que, além de degradante, é um incentivo ao consumo de drogas, desrespeito à lei e apologia ao crime.
Fica difícil acreditar que não haja uma forma de se empreender uma ação conjunta para que seja criada uma barreira para impedir esta reunião, cujo poder de atração para a juventude é inegável.
O Conselho Tutelar diz que ainda pretende reunir os responsáveis pela segurança para definir uma ação conjunta. Assim como o Comércio foi informado pela segunda vez de que o pancadão continuava ativo, é pouco provável que não apenas o Conselho mas as demais autoridades de segurança não tenham recebido denúncias e reclamações. Poderiam ter agido com mais presteza e não esperar, de novo, que a reportagem mostrasse a situação para que se começasse a agir. É preciso que os órgãos de segurança fiquem atentos e cumpram sua função, patrulhando, fiscalizando, cobrando e fazendo cumprir a lei.
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