‘Graças a Deus moro no Brasil. Se estivesse na Síria, já estaria morto’


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O empresário árabe Riad Salloum se emociona ao comentar as mortes de seus conterrâneos. Ele nasceu em Bsomah, na Síria
O empresário árabe Riad Salloum se emociona ao comentar as mortes de seus conterrâneos. Ele nasceu em Bsomah, na Síria

Imagens de crianças mortas, enroladas em lençóis brancos, sem ferimentos aparentes e todas enfileiradas circularam pelo mundo na semana passada e causaram comoção de árabes que vivem em Franca. As fotos foram divulgadas por grupos de oposição ao presidente Bashar Al Assad, para denunciar o uso de armas químicas durante um bombardeio, nas proximidades de Damasco, capital do país.

Em Franca há 59 anos, o empresário árabe Riad Salloum, que nasceu em Bsomah, na Síria, e veio para o Brasil com os pais e cinco irmãos disse estar abismado com o conflito em seu país. “No mundo inteiro falam que nós, os árabes, somos os maiores comerciantes que existem. Mas emocionalmente somos todos burros porque somos irmãos e um mata o outro. Pra quê essa guerra, para um querer mandar mais que o outro?”, questiona.

Emocionado, “o árabe de nascimento e francano de coração” disse que se preocupa com os primos e tios que vivem na Síria e que se entristece cada vez que tem notícias dos massacres em seu país. “Vários primos já morreram lá. Nem sei quantos. Graças a Deus moro no Brasil. Se estivesse na Síria, já estaria morto”, afirma. O empresário disse que não pretende voltar à Síria e “nem ver essa barbaridade de perto”.

Riad aponta as questões religiosas e políticas como o pontos centrais do conflito deflagrado em março de 2011. A oposição pressiona o presidente Bashar Al Assad para deixar o poder. O ditador resiste. Desde então, mais de 100 mil pessoas morreram no território sírio, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas).

“É uma barbaridade soltar bombas e matar o povo inocente, principalmente crianças”, afirmou. Riad culpa os EUA por fomentar a guerra. “Eles fazem os judeus atacarem os árabes e vice-versa. Se os dois povos se juntarem vão mandar no mundo. Porque um tem o dinheiro e o outro tem o petróleo”, afirma.

Em Franca há 33 anos, o comerciante Said Chahoud, 49, que nasceu em Damasco, diz que não gostaria de ver seu país em guerra. Ele não acredita que o governo seja o responsável pelas mortes. “O governo protege seu povo. O presidente lá é bem quisto. Todo mundo gosta dele. A oposição que quer tomar o poder mata e coloca a culpa no governo. Isso para a comunidade internacional se virar contra Assad”, disse.

Said tem uma irmã vivendo na Síria e conta que teme pela vida dela. O árabe espera ver a irmã no Brasil em 2014. Ela ainda não teria vindo porque não consegue vender os imóveis que possui. “Por causa da guerra ninguém quer comprar casa em Damasco”, disse.

O árabe, que tem um bar no no bairro Estação, diz que pretende voltar à Síria somente a passeio porque tem lembranças tristes de lá. “Quando eu tinha 13 anos a Síria estava em guerra com Israel. Lembro que vi uma área muito grande pegando fogo depois que a aviação israelense invadiu Damasco. Uma cena que não sai da minha cabeça. Muita gente morreu. Cerca de 5 mil pessoas”, afirmou.

Lembranças
Descendente de árabes, Nassima Salloum, uma das irmãs do empresário Riad, nasceu em Jeriquara, mas vive em Franca. Há quatro anos ela visitou a Síria. Ficou encantada com a terra em que os pais e irmãos nasceram. “O povo é muito acolhedor. De repente uma casa enche porque você chegou. Quando eu estive lá era tudo maravilhoso. Muito bonito. Inclusive fiquei sabendo que onde eu fui [cidades de Homus e Alepo] destruiu tudo. Isso entristece”, disse.

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