Jépy Pereira tranca porta da Câmara Municipal de Franca


| Tempo de leitura: 3 min
O vereador Jépy promoveu mudanças na Câmara
O vereador Jépy promoveu mudanças na Câmara

Uma pizza tanto pode ser saborosa e degustada com prazer, quanto provocar reações adversas, difíceis de digerir. Na Câmara Municipal de Franca, os sintomas parecem ser de congestão. Desde que o Poder Legislativo foi alvo de uma manifestação, que os vereadores tratam como “atentado”, em julho, medidas drásticas são tomadas em nome da segurança. Primeiro, o presidente Jépy Pereira (PSDB) determinou que a porta principal do prédio fosse fechada. Agora, ele quer mudar o posicionamento das mesas dos vereadores no plenário.

Terça-feira, 30 de julho, 10 horas. O manifestante Lucas Lespinasse sai do gabinete do vereador Luiz Vergara (PSB) segurando duas pizzas e as joga no plenário em forma de protesto ao relatório final da CEI do viaduto da avenida Major Nicácio assinado pelos vereadores Claudinei da Rocha (PP) e Donizete da Farmácia (PSDB). O que aparentava ser mais um simples protesto, algo quase irrelevante comparando-se com o que ocorre em outras Câmaras e Assembleias Legislativas Brasil afora, foi tratado como um ataque à soberania do Legislativo local.

Mudanças
A primeira medida determinada pela presidência foi a abertura de inquérito criminal no 1º Distrito Policial para apurar o suposto crime de injúria real e desacato por parte de Lucas Lespinasse. Oito vereadores representaram e deram suas assinaturas para que o caso seja levado adiante. Ainda com o processo em andamento, Jépy se antecipou e deu o seu veredicto a Lucas. “Com certeza, ele será condenado, talvez, para vir limpar aqui (o plenário), às terças-feiras, no horário das 9 horas ao meio dia.”

Enquanto o processo corre na delegacia, o presidente resolveu tomar medidas internas. Ele mandou fechar a porta que dá acesso ao setor administrativo da Câmara. Funcionários, vereadores e visitantes são obrigados a dar a volta e entrar por uma rampa, que conduz aos gabinetes e plenário. Com a mudança, a única ligação entre os dois pavimentos é feita por uma longa escada, o que dificulta a acessibilidade de deficientes e idosos.

Se não bastasse o absurdo, que parece contar com o apoio dos demais vereadores, às terças-feiras, dia em que são realizadas as sessões, é feita uma inversão: a porta que fica fechada o restante da semana é aberta, enquanto a que dá acesso ao plenário pela rampa é fechada. O transtorno enfrentado por todos que precisam ir à Câmara não convence Jépy Pereira. “A porta era exclusiva de servidores da casa. Um especialista em segurança nos disse que o prédio é muito bom, mas que tem muitas entradas. Mudamos por questão de segurança, depois de alguns fatos que ocorreram aqui”. Para ele, não há motivo para reclamações. “O fato de ter fechado não impede a vinda de pessoas ao prédio. Lá embaixo, só funciona o setor administrativo.”

Dança das mesas

Outra medida estratégica está em fase de implantação. Na tarde da última quinta-feira, o próprio vereador Jépy Pereira pegou uma fita métrica e foi fazer medições no plenário.

O presidente quer arrumar um jeito de mudar a disposição das mesas ocupadas pelos vereadores durante as sessões. “Eles (os vereadores) ficam de costas para as pessoas que estão nas cadeiras. Estamos planejando um layout novo para ver a possibilidade de ficarem de lado da Mesa Diretora e, assim, de frente para a população. Não vamos gastar nada, é só soltar as mesas para poder invertê-las de posição. Devemos fazer a alteração ainda que por experiência”, afirmou o vereador.

Até agora, nenhum vereador questionou publicamente as decisões tomadas por Jépy.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários