Neste domingo a Igreja reza pelos leigos (fiéis) que estão trabalhando para concretizar o Reino de Deus no mundo. Através da sua Palavra, Deus nos ensina como viver e agradar-lhe no dia-a-dia. Vejamos os belos ensinamentos contidos nas leituras litúrgicas de hoje: Isaias 66, Hebreus 12, Lucas 13
PRIMEIRA LEITURA - ISAIAS 66: Nós nos damos bem com quem pensa como nós, com quem aceita nossos costumes, com quem se adapta aos nossos hábitos e observa as nossas leis.
Os estrangeiros provocam calafrios, porque não seguem as nossas tradições. Também os israelitas estavam convencidos de serem os únicos ‘homens’ bons, justos, fiéis a Deus. Os acontecimentos da história, porém, encarregaram-se de demolir, passo a passo, esses preconceitos. No exílio, têm a oportunidade de conhecer pessoalmente os estrangeiros, pelos quais sentem tão grande desprezo: são muito diferentes do que pensavam!
É nesse período que começa a surgir a ideia de que o Senhor não é só o Deus de Israel, mas de todos os povos e que ele ama a todos, sem distinção de raça ou nação. A leitura relata a mensagem de profeta que viveu nesse tempo de renovação de ideias. Começa com as palavras de Deus que confirma: ‘Eu virei para reunir os homens de todas as nações e de todas a línguas’. Para nós, em nossos dias, é fato pacífico que a Igreja seja formada por pessoas de todas as nações.
SEGUNDA LEITURA - HEBREUS 12: Já observamos em domingos passados que os destinatários dessa carta eram cristãos oprimidos por muitas provações que não entendiam, nem o motivo, e nem o sentido. Como eles, também nós nos perguntamos: por que, embora tenhamos praticado o bem, somos atingidos por tantas angústias?
Eis, diz-nos o trecho de hoje, porque Deus nos submete a tantas provas: para nos corrigir, para nos aperfeiçoar. É a prova de que ele não nos considera estranhos, mas filhos. Nós pensamos que desgraças e sofrimentos são enviados por Deus, mas Ele só quer o nosso bem e a nossa felicidade.
As doenças e as aflições não procedem deles, mas das circunstâncias da vida e, às vezes, da maldade dos homens. A leitura ensina que Deus se serve também de acontecimentos dolorosos que se abatem sobre nós para ajudar-nos a crescer na vida espiritual, para induzir-nos a ser mais generosos, mais sensíveis, menos voltados para nosso egoísmo.
EVANGELHO - LUCAS 13: Lucas nos apresenta um Jesus compassivo, compreensivo, sempre disposto a enfileirar-se com os pobres, com os desesperados, com os desgarrados da vida. Sempre o apresenta assim, exceto no trecho de hoje.
Alguém pergunta ao Senhor: ‘são poucos os homens que se salvam?’ Jesus não responde, e muda de assunto. Não quer falar do fim deste mundo e da salvação eterna. Sua preocupação é esclarecer como se entra no reino de Deus, o que se deve fazer para ser seu discípulo.
A condição é uma só: ‘procurai entrar pela porta estreita. Digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão’. Há uma única maneira: tornar-se pequeno. Eis o que Jesus se preocupa em nos explicar: não podemos ser seus discípulos se não renunciarmos a ser grandes, poderosos, dominadores, se não nos tornarmos crianças, isto é, servos de todos.
Quem não assumir a atitude do ‘pequeno’, sejam quais forem suas práticas religiosas, orações, catequese, sermões, procissões e até milagres, não conseguirá entrar. Jesus usou palavras duras para alertar, porque o risco de cair nesta trágica ilusão é muito grave e concreto.
Monsenhor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br
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