Fiscais da Prefeitura multam 108 donos de barracas no Centro


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A vendedora Nair Rodrigues alega que os vendedores não desmontam mais pela idade e por falta de local de armazenamento
A vendedora Nair Rodrigues alega que os vendedores não desmontam mais pela idade e por falta de local de armazenamento

Mais de cem donos das barracas montadas nas praças do Itaú e 9 de Julho, no Centro, foram multados em R$ 150 cada um nesta semana. Segundo a Fiscalização da Prefeitura, eles estão descumprindo uma lei municipal de 1999 que obriga os vendedores a desarmar as barracas no final da tarde de sábado e só remontá-las na manhã de segunda-feira. Os comerciantes não têm cumprido a norma e, por cerca de um ano, estão deixando as barracas nas praças durante todo o fim de semana. Além de pagar a multa, os vendedores podem acabar tendo as barracas recolhidas (leia mais em texto nesta página).

A decisão da Prefeitura não só revoltou como surpreendeu os vendedores. “A ordem que chegou foi para lavarmos as lonas das barracas no último sábado. Mas eles não avisaram que tinha que retirar as barracas. O dia de sábado é o mais corrido, estamos cansados de trabalhar a semana toda e demora quase uma hora para desmontá-las”, disse o vendedor Edvaldo Dias, 49.

“Eles [a Prefeitura] querem tirar a gente daqui. É um absurdo nos multarem”, reclamou a comerciante Ivonete Mendonça, 45. Já outro dos comerciantes, Marcos Aurélio de Oliveira, 49, afirma que os fiscais já o haviam avisado que estavam descumprindo a lei, mas nunca houve uma notificação oficial.

A vendedora Nair do Carmo Ferreira Rodrigues, 63, uma líder informal dos comerciantes do “Shopping do Itaú”, explicou que a lei de 1999 era cumprida até mais ou menos um ano atrás.

“Já se passaram 14 anos, e as coisas mudaram. A maioria das vendedoras já é idosa. Nós tiramos essas barracas até onde demos conta do recado. Hoje, não damos mais. Além disso, não temos onde guardá-las. O estacionamento que a gente colocava os materiais hoje não aceita mais, porque houve casos em que os carros batiam nos ferros. Essa decisão [de multar] foi uma palhaçada”, afirmou. Ela disse que os todos os comerciantes vão recorrer da medida, e que a limpeza da praça é feita pelos próprios trabalhadores do local.

Na Praça 9 de Julho, ao lado dos Correios, o sentimento de indignação é o mesmo. A vendedora Rita Lima, 60, também não esperava ser multada. “Eu não vejo diferença [se as barracas permanecerem montadas], porque é uma praça de pouco movimento. E ela só é limpa pela Prefeitura para a comemoração da Revolução Constitucionalista [que acontece no dia 9 de julho]. Nos outros dias, nem varrida ela é. Nós é que limpamos.”

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