Esopo, La Fontaine e Fedro tornaram-se célebres ao escrever histórias onde os animais eram personagens. Nossos índios não dominavam a escrita, mas também criaram muitas histórias com animais. Vejamos três delas. Jovem guerreiro apaixonou-se pela mulher do cacique. Proibido de se aproximar dela, pediu a seu deus que o transformasse num pássaro de lindo canto para assim chegar perto da amada. Tupã o atendeu. Mas o cacique, vendo o pássaro, quis prendê-lo numa gaiola. Perseguiu-o e acabou se perdendo na floresta. Desde então o pássaro vive no alto das árvores e canta ao entardecer para ver se a amada o descobre. A ave se chama uirapuru, que significa “pássaro que não é pássaro.”
Grande cobra, para escapar do dilúvio, escondeu-se numa caverna escura e ficou esperando que a chuva parasse de cair. Para se alimentar, comia os olhos de outros animais que estavam lá. Assim absorveu a luz e o volume arredondado dos mesmos. Seu corpo ficou brilhante, com muitos olhos de fogo que a orientam na escuridão. Por isso seu nome, em tupi, é boitatá, ou seja, “cobra de fogo.”
Índia bonita e valente despertou ciúmes nos irmãos porque era elogiada pelo pai. Os irmãos planejaram matá-la, mas ela que tudo ouvira os matou antes. O pai, tomando conhecimento do fato, castigou a filha jogando-a nas águas do rio Amazonas. Os peixes que ali estavam a salvaram e para escondê-la do pai a transformaram em sereia, metade mulher, metade peixe. Desde então, nas noites de lua cheia, ela se recosta nas pedras das margens e canta para atrair jovens namorados. É conhecida por yara, ou seja, “aquela que mora nas águas”.
Quem é
Urutau, “ave-fantasma” que tem canto triste, melancólico
A transformação
Era uma índia que descobriu segredo do pai e foi por ele transformada em ave noturna.
O segredo
O pai matou o namorado da índia por não gostar dele
O boto
Nas noites de festa, o boto sai das águas e se transforma num jovem elegante. Traja roupa social e usa chapéu para esconder o furo que tem no alto da cabeça. Seduz moças, as engravida, e ao amanhecer volta às águas como boto-cor-de-rosa.
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