A balança comercial deve apresentar déficit em 2013, primeira vez em 12 anos. O resultado está na praça: de 12 a 16 de agosto último, a taxa de câmbio para o dólar norte-americano subiu mais de 5%, alcançando R$ 2,392. Faltou pouco para atingir a cotação de março de 2009, quando chegou a R$ 2,412.
Talvez nossa economia esteja encontrando novo patamar, ponto real de equilíbrio. De 2009 até aqui vivíamos ‘período de graça’, remanescente dos tempos de bonança na economia mundial e, agora, premida por fatores concretos (arrefecimento da dinâmica da economia chinesa e a quase recuperação da economia norte-americana), a taxa de câmbio reagiu.
A China apresenta, hoje, ritmo de crescimento menor e demanda menos minério de ferro e alimentos no mercado internacional. Menor demanda, menores preços. Os Estados Unidos, a passos ainda incertos, já demonstra que sua economia já não está tão débil, podendo prescindir da ajuda do governo. Com isto, os títulos do tesouro daquele país atraem capitais, deixando os emergentes a ‘ver navios’.
O Brasil, por sua vez, não fez o que deveria deveria para enfrentar problemas trazidos pela valorização do real. Preferimos culpar os outros. Inventamos até um ‘tsunami monetário’ que os EUA promoveriam, ao gerar grande emissão de moeda que estimulava discrepâncias na competição entre países, na arena internacional.
A atuação do Banco Central tem sido periférica e não em torno de uma política de câmbio , juros e desenvolvimento estuturada. O BC tem agido mais para frear a cotação do dólar, que deve durar até o próximo ano, e não para formular uma política cambial, pelo menos no médio prazo. Assim, vamos conviver com a intervenção das autoridades no mercado de câmbio; provável elevação dos juros futuros (prevê-se taxa Selic de 10% ao final do ano), opção pelas operações de ‘swap’, mais de interesse dos especuladores do que das empresas. Até lá, é importante precaver-se contra a onda inflacionária, enquanto os exportadores podem aproveitar o ‘tempo das vacas gordas’.
Vicente de Paula Oliveira
Economista pela FEA/USP
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