Em outras épocas, a valorização do dólar poderia significar um maior número de exportações para o mercado calçadista. Mas o valor atual da moeda americana (R$ 2,41, ontem) não é o suficiente para empolgar os empresários. Eles dizem que a alta ajuda, mas a perda de clientes para outros países, como a China, torna mais difícil fechar contratos com estrangeiros.
Mesmo focado exclusivamente no mercado externo e tendo como principal cliente os Estados Unidos, o diretor-proprietário da Calçados Kissol, Renato Maurício de Paula, não está muito esperançoso com a valorização do dólar. “Perdemos muito mercado nos Estados Unidos. Temos concorrentes como a China e Vietnã, que estão agressivos em preço e com carga tributária muito menor. O dólar é um reforço, mas só vamos reconquistar esse mercado a duras penas. Um importador não vai mudar de fornecedor do dia para a noite pela instabilidade do dólar”, disse Renato.
Segundo o diretor de marketing da Sândalo, Téti Brigagão, as exportações correspondem a 20% da produção da empresa, mas a diretoria deseja subir esse índice para pelo menos 30%. Com isso, a valorização do dólar poderá vir a calhar. “O mercado internacional está mais interessado no Brasil, mas é um processo demorado. Os importadores precisam ganhar confiança de que o dólar vai ficar nesse patamar. Mas a alta do dólar já motivou um aumento das vendas de exportação na Francal deste ano”, disse.
Já o diretor da Stefanello, Jaime Borges, acredita que a desvalorização do real tem prós e contras. “Desde julho, houve uma procura maior por parte dos empresários do exterior. Já fechei três contatos. Mas, ao mesmo tempo, com o valor maior do dólar, o preço de matérias-primas foi reajustado em até 15% há cerca de um mês.”
O diretor da Agabê, Miguel Betarello, vende apenas para o mercado interno, mas está considerando retomar atividades de exportação com a moeda dos Estados Unidos em alta. O mercado a ser focado será a própria terra do Tio Sam.
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