Sobre duas rodas: aventuras em trilha de moto conquista francanos


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TRILHA - Adrenalina e cenários exuberantes são pontos que ajudam a popularizar a prática esportiva
TRILHA - Adrenalina e cenários exuberantes são pontos que ajudam a popularizar a prática esportiva

Uma boa reunião entre amigos, comumente, é aquela onde tem churrasco, cerveja e futebol. É assim que o brasileiro, em geral, e o francano em particular, costuma se divertir nos finais de semana e feriados prolongados. Mas há quem se divirta de maneira, digamos, mais radical na cidade. Um (nem tão) pequeno grupo de francanos começa a se interessar cada vez mais por um objeto mais robusto que a bola; a moto. Esse meio de transporte que, mais fortemente na década de 50, foram alçadas a ícone de liberdade. O filme O Selvagem (1953) espelha bem isso. O longa mostra um Marlon Brando rebelde, usando uma jaqueta de couro e se divertindo pelas estradas americanas sem se preocupar com mais nada.

Quase 60 anos depois, as motocicletas mantêm esse status libertário, mas não se restringem ao asfalto. Muito pelo contrário...

Com alguns ajustes, as máquinas de duas rodas foram capazes de ocupar terrenos irregulares e empoeirados ou lamacentos, a depender do tempo no dia. Tudo indica que é justamente essa combinação de liberdade, velocidade, sujeira e adrenalina que tem atraído centenas de francanos para a prática da trilha sobre duas rodas.

Pelo menos foram justamente esses aspectos o que despertaram a paixão no funcionário público Ícaro Sérgio Pinto, 26. Há 11 anos, o francano já se embrenhava no mato para desbravar a área. A diferença é que, naquela época, ia de bicicleta. Quando completou 16 anos, ganhou uma motocicleta de 180 cilindradas. De lá para cá, não parou. Foram tantos trajetos que não consegue nem calcular quanto já gastou com trilhas em toda sua vida. “Foi muito dinheiro”, resumiu.

Os gastos começam, logicamente, com a compra do veículo. A moto precisa ser preparada para aguentar esse tipo de terreno e todas suas adversidades. As principais diferenças em relação às motocicletas comuns estão nas suspensões, pneus e principalmente no torque, que precisa ser mais rápido.

Pelas diferenças, o preço também aumenta. Uma zero km off-road poder variar entre R$ 12 mil a R$ 55 mil, dependendo do modelo que for escolhido.


Custo do Equipamento

• Além da moto, um trilheiro precisa dos equipamentos de proteção, que custam em média R$ 1 mil. A “armadura” é composta por bota, capacete, colete, cotoveleira, joelheira, bolsa de hidratação, luvas e óculos

• O esporte envolve gastos com manutenção e combustível. Em cada trilha se gasta, pelo menos, R$ 120

• Os trilherios entrevistados estimam que 600 francanos pratiquem o esporte


O PASSO-A-PASSO

O Comércio acompanhou, no dia 6 de julho, um sábado, Ícaro e uma turma de amigos em uma das trilhas mais conhecidas da região. Os preparativos começaram às 8 horas, num posto de combustíveis em Franca: calibragem de pneus, e abastecimento.

No ponto inicial da trilha, o pessoal desceu as motos e elas foram ligadas pela primeira vez. O cheiro de gasolina e óleo em pouco tempo tomou o ar, assim como o ronco nervoso das máquinas. Enquanto elas esquentavam os motores, os motociclistas vestiam a “armadura”.

Com tudo acertado, finalmente começou a ação. Rapidamente entende-se qual o charme do negócio. Em meio à paisagem seca do cerrado mineiro, as motos cortam pequenos caminhos de terra e pedras. Também sobem morros íngremes como se fossem simples lombadas.

Verdade seja dita, durante os primeiros quilômetros do percurso, o caminho é relativamente bem cuidado. Mas, quanto mais se avança, mais adversidades vão surgindo.

Depois de deixarmos a Usina Hidrelétrica de Mascarenhas para trás, a situação ficou crítica. Os morros ainda íngremes, mas a terra bem batida deu lugar a um terreno tortuoso e formado por pedras soltas. Ícaro e os colegas, nesse comomento, já estavam ensopados de suor.

Apesar de ficarem em cima das motos, os trilheiros precisam ter bom preparo físico para aguentar o calor e controlar as motos que pesam, em média, 120 quilos. “Perdi 11 quilos desde quando comecei a fazer trilha”, disse oum dos trilheiros, o empresário Jean Jefferson, 26.

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