O fato do calendário de comemorações do Estado de São Paulo estabelecer que agosto seja o mês do Folclore, por certo, como efeito da força dessa expressão cultural do nosso povo, inspira-nos a abordagem do tema.
Entre os elementos folclóricos brasileiros, quiçá do mundo inteiro, ocupa considerável espaço no imaginário popular a crença de que existem assombrações e que estas se manifestam em determinados lugares, principalmente em antigas habitações.
Quem, desde a sua infância, não ouviu falar de lugares mal-assombrados? Nas áreas rurais mais distantes, nos lugarejos e mesmo nas grandes metrópoles, sempre se ouviu falar de aparições assustadoras.
A que se deve atribuir tais ocorrências? Consideremos, em primeiro lugar, que podem tratar-se de falsas impressões, isto é, de terem-se visto ou ouvido uma luminosidade fortuita, o ranger das peças de uma janela sob a pressão do vento, o farfalhar da ramagem de um arbusto de encontro a vidraça, o que, tomado à conta de gargalhadas, risos ou lamentações dolorosas, metem medo no observador.
À míngua de explicações, as pessoas, assustadas e predispostas ao medo, atribuem tais eventos à presença de espíritos, ou, como popularmente, a ‘almas do outro mundo’, especialmente se o fato se verifica sob o silêncio da noite.
Há, porém, que admitir-se a realidade do espírito. São aqueles casos nos quais não há a ação material. Entidades espirituais, muitas vezes, por estarem num estado de pouca evolução intelectual e moral, julgam ser seu perispírito um corpo físico, continuando a agir nos lugares aos quais se vincularam durante sua existência física. E basta isso para que, presentes nos referidos lugares, ali se façam ouvidos e/ou vistos, assustando os desinformados. Pertinente explicar-se que, para que possam agir, valem-se dos fluidos de alguém que esteja nas proximidades, num processo de simbiose energética que pode dar-se inconscientemente de ambas as partes.
O apego a lugares e situações por parte dos espíritos pode durar anos e, muitas vezes, à custa de muito sofrimento.
Por isso mesmo, são de grande utilidade os esclarecimentos que lhes devem o Espiritismo em trabalhos de comunicação, aos quais são trazidos, via de regra sob operação de resgate, por caridosos espíritos que lhes são superiores. A ação dos bons espíritos, nesses casos decorrem, quase sempre, de atendimento caridoso a preces formuladas por familiares queridos.
Oportuno ressaltar que, na maioria dos casos, o apego que retarda a felicidade do espírito decorre do elevado grau de materialidade que o leva a vincular-se aos locais onde permaneceu durante a sua vida, como residência, teatro, bar, casas de tolerância, de jogos, ou mesmo locais de trabalho e igrejas. As orações em família, que o Espiritismo denomina ‘Culto do Evangelho no Lar’, são excelente meio de esclarecer, livrando os espíritos queridos dos constrangimentos infelizes.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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