Só palavras não bastam


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O alerta já foi dado, embora o governo aparentemente imagine que só com discursos conseguirá recolocar a economia nos trilhos. Ontem, o ministro da Fazenda Guido Mantega fez em São Paulo uma avaliação positiva sobre as perspectivas para o segundo semestre. Ele acredita que os leilões de concessão de obras de infraestrutura serão capazes de reverter a tendência negativa que ataca a economia brasileira desde o ano passado. Porém, os sinais são claros de que dificilmente haverá uma recuperação consolidada até o final de 2013. O alarde que a presidente Dilma Rousseff fez porque a taxa de inflação chegou a quase zero em julho não deve passar disso. Os números parciais da primeira quinzena de agosto já mostram que o índice inflacionário não vai arrefecer como se esperava.

Além disso, no decorrer desta semana o câmbio dominou o noticiário: o dólar fechou ontem em R$ 2,396, pela primeira vez desde 3 de março de 2008. A moeda norte-americana disparou e chega na semana a uma valorização de 5,3%, a maior alta semanal desde novembro de 2011, que não foi freada nem com as intervenções ‘pontuais’ (como gosta de sinalizar a área econômica do governo) nos dois dias de maior oscilação. De acordo com os analistas, o dólar vem registrando forte escalada ante o real devido ao pessimismo dos investidores com os fundamentos da economia brasileira, aliado à expectativa de que os Estados Unidos comecem em breve a cortar seu programa de estímulo monetário, reduzindo o apetite do mercado por ativos de risco.

Se o Banco Central não começar a intervir no mercado à vista do câmbio (e a área econômica do governo diz que os leilões de dólares continuarão sendo feitos no mercado futuro), dificilmente vai conseguir reverter o quadro de explosão do ativo norte-americano que se delineia. Os investidores externos mostram receio de investir seus dólares por aqui já que os EUA começam a dar mostras de recuperação e será muito mais interessante deixar o dinheiro por lá mesmo. A incerteza ainda ronda o Brasil que, entre os emergentes do Brics (ao lado de Índia, África do Sul e China), vem apresentando os números mais decepcionantes.

Junte-se a isso a visão desfavorável que os organismos internacionais estão tendo da condução da política econômica do governo federal. As estimativas feitas lá fora dão como certo um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de apenas 2% no decorrer deste ano. Porém, analistas acreditam que estas projeções são otimistas, uma vez que é voz corrente entre os especialistas que o número pode ficar abaixo disso. Falar que o segundo semestre vai ser melhor do que o primeiro não será capaz de reverter este quadro sombrio. Vai ser necessária muita ação para se encontrar um caminho que não seja uma política que fomente a ampliação do consumo, que até agora se mostra insuficiente.

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