Sobre motos e motoqueiros


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Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo apontam que 1 em cada 5 vítimas de acidente de moto na capital paulista havia consumido algum tipo de droga ou álcool antes do acidente: 7,1% consumiram álcool e 14,2% usaram alguma droga ilícita — a cocaína e a maconha são as mais comuns. Os dados mostram ainda que entre os 7,1% que consumiram álcool antes de dirigir, apenas 1% estava com a dosagem considerada segura de álcool no sangue: menos de 0,6 g/l. Todos os outros condutores estavam com doses acima de 0,6 g/l — o que é considerado um fator de risco altíssimo para acidentes. Ao todo, a pesquisa coletou dados de 326 vítimas de acidentes de moto que aconteceram entre fevereiro e maio.

Ainda de acordo com a pesquisa, 44% dos acidentados sofreram lesões graves e politraumatismos, e 23% deles não tinham habilitação para dirigir moto. Apesar de 90% estarem usando capacete, só 17,8% estavam com o trio capacete, jaqueta e bota como segurança. Embora o levantamento tenha se restringido à zona Oeste da Capital, onde está instalado o HC, os números não devem divergir muito se aplicados em outras cidades e regiões do País. Os acidentes de moto se multiplicam e muitas vezes a falta de proteção e o uso de bebidas ou drogas ilícitas aparecem como potencializadores.

A morte do montador de móveis Filipe Henrique Andrade Oliveira, 20, na última terça-feira, em acidente na avenida Paulo VI, chocou a cidade e expôs com clareza o perigo a que estão expostos os condutores de motocicletas, motonetas ou ciclomotores. Um simples toque num ônibus foi capaz de atirar o jovem à distância, ao encontro de uma árvore, provocando sua morte. O uso do capacete, obrigatório por lei, não foi capaz de proteger o rapaz. Ou seja: a falta de segurança do veículo de duas rodas é patente e qualquer impacto acaba sendo refletido, com consequências quase sempre trágicas, no corpo do próprio condutor. Nem a utilização de toda proteção sugerida é suficiente para evitar.

Neste caso, deve-se colocar a prudência como principal meio de proteção para motoqueiros. Embora todos que enfrentam o trânsito, seja aqui ou em qualquer ponto do País, estejam sujeitos a um acidente, pilotar com cuidado e responsabilidade já seria suficiente para que o número de desastres e mortes seja extremamente reduzido. O perigo cresce — e muito — em caso de uso de álcool ou entorpecentes e com a não observância da legislação de trânsito. Por ser um veículo relativamente barato, a motocicleta disseminou-se principalmente entre os mais jovens, que a veem como meio de transporte ideal. Não podemos mais acompanhar impassíveis a perda de vidas de quase garotos —ou garotas — por causa da imprudência. Enquanto o trânsito não for inteiramente seguro, é dever de todos torná-lo menos perigoso.

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