Confusão deixa pacientes sem remédios contra câncer em Franca


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Saída de médico do HC fez prescrição de medicamento ser invalidada e pacientes impedidos de ter acesso aos remédios
Saída de médico do HC fez prescrição de medicamento ser invalidada e pacientes impedidos de ter acesso aos remédios

“O remédio está ali, na minha frente, e a moça [da farmácia] me falando que eu não posso pegar. É muita crueldade.” O desabafo é de Maria (nome fictício), uma funcionária pública de 58 anos de idade que luta contra um câncer de mama há seis anos. Sua principal “arma” nessa batalha é a droga Arimidex, um dos medicamentos mais recomendados para o tratamento desse tipo de tumor, quando ele se encontra em estágio avançado.

Todos os dias, Maria toma seu comprimido e, quando o estoque está baixo, vai até a farmácia do Hospital do Câncer de Franca receber gratuitamente uma nova caixa. Quando chegou sua vez de ser atendida, nessa quarta-feira, Maria foi surpreendida com a negativa da farmacêutica assim que ela viu a receita médica assinada pelo médico José Reinaldo Tasso. De acordo com a farmacêutica, todas as receitas expedidas por Tasso foram canceladas por ordem dele mesmo, que foi demitido há cerca de oito meses do hospital.

Essa resposta foi dada a Maria e a cerca de outros 400 ex-pacientes do especialista que, agora, precisam agendar uma outra consulta para pegar uma nova receita. Porém, segundo a paciente, apenas uma oncologista está fazendo o trabalho clínico e ela não consegue atender toda a demanda, já que pessoas que fazem quimioterapia têm prioridade no atendimento.

Ontem, o Comércio entrou em contato com o Hospital do Câncer e duas funcionárias confirmaram a situação. “Não podemos entregar os medicamentos. Tem muita gente que vem aqui e não consegue marcar consulta. Mas a farmácia não pode fazer nada”, disse uma das profissionais. “Está um buraco de médicos aqui porque saiu ele [José Tasso] e também saiu o Dr. Gustavo [Assunção]. Então, está difícil.” Em 2012, o setor de oncologia clínica da unidade local atendeu uma média mensal de 759 pessoas.

Tanto a Secretaria de Saúde de Franca quanto a direção da Santa Casa, responsável pela administração do Hospital do Câncer, foram procuradas pela reportagem. Porém, nenhuma das partes definiu prazos para a solução do imbróglio. “Dois médicos oncologistas clínicos deixaram a instituição, no entanto, há mais três profissionais que estão atendendo a demanda”, afirmou a secretária de Saúde, Rosane Moscardini. “Todas as medidas necessárias para o melhor andamento deste processo estão sendo tomadas pela direção do hospital”, declarou a Santa Casa, através de nota oficial.

O Comércio tentou contatou com José Tasso, através de seu celular, mas o telefone estava fora da área de cobertura.

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