Motorista que matou PM se livra da cadeia e só paga multa de R$ 6 mil


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Policial rodoviário observa o carro que atropelou o colega de trabalho; veículo foi encontrado cerca de 9 km do local do acidente
Policial rodoviário observa o carro que atropelou o colega de trabalho; veículo foi encontrado cerca de 9 km do local do acidente

Jonathas Junio Pezarezi, 26, era policial rodoviário em Franca. Na manhã do dia 6 de fevereiro do ano passado, ele realizava uma fiscalização de rotina às margens da Ronan Rocha, quando sinalizou para um Voyage parar. O motorista não obedeceu e o atropelou. O corpo do patrulheiro foi lançado a mais de 15 metros de distância. Ele morreu horas depois. O pespontador Tiago Custódio Veiga, 23, causador do acidente, fugiu sem prestar socorro. Não tinha habilitação. Tiago foi levado a julgamento ontem. Escapou da cadeia. Terá apenas que prestar serviços comunitários e pagar uma prestação à família da vítima: R$ 6,7 mil foi o preço da vida do soldado.

Pezarezi era solteiro, morava em Ribeirão Preto e estava na Polícia Militar havia cerca de um ano e meio. Havia sido transferido para Franca havia dois meses. Ele participava de uma blitz na altura do quilômetro 27 da pista duplicada, por volta das 11 horas, momento em que foi atingido pelo Voyage marrom, modelo antigo. Socorrido em estado grave, o policial não resistiu aos ferimentos e morreu às 14h05 na Santa Casa em razão de politraumatismo e traumatismo craniano. A família autorizou a doação de suas córneas.

O Voyage foi localizado três horas depois abandonado numa estrada de terra, atrás de um motel, cerca de nove quilômetros do local do acidente. Cruzando informações sobre os últimos proprietários do veículo, a PM identificou o pespontador Tiago Custódio Veiga como sendo o autor. Ao ser descoberto, ele se apresentou à polícia. Em depoimento, disse que não teria visto o policial rodoviário, pois tentava fazer uma ultrapassagem. Alegou que fugiu por medo. Não era habilitado a dirigir e foi autuado em flagrante por homicídio doloso (com intenção de matar) pelo delegado Daniel Radaelli.

A acusação foi desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Em julgamento realizado na manhã de ontem, no Tribunal do Júri de Franca, Tiago foi condenado a três anos de detenção em regime aberto. Saiu andando pela porta do Fórum, enquanto colegas do patrulheiro morto lamentavam a sentença. O juiz também determinou a suspensão da CNH por dois anos e o pagamento de uma prestação pecuniária em favor da vítima no valor de dez salários mínimos. A pena principal foi convertida em prestação de serviço.

“Embora tenha sido atendida a tese da acusação, a pena, a meu ver, não guarda correlação com a gravidade do fato, mas temos que seguir o que a lei determina. É o que foi cumprido”, afirmou o promotor de Justiça Odilon Nery Comodaro. Ele explicou que havia a possibilidade de condenação um pouco mais alta se reconhecida a prática de homicídio doloso, mas a prova do processo deixou em dúvida se o motorista assumiu o risco consciente e deliberado de matar.

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