Agentes do 4º Distrito Policial, chefiados pelo delegado Dalmo Mateus Pollo, investigam a denúncia do vigilante Marco Antônio Dias Pereira, 27, que disse ter sido vítima de sequestro-relâmpago. O rapaz, que reside em Restinga, alega que três indivíduos não identificados o renderam, por volta das 14 horas da última terça-feira, perto do semáforo da avenida Champagnat com a rua Amapá.
Além de roubar seus pertences, os bandidos teriam ainda agredido a vítima com socos e pontapés, antes de aprisioná-lo no porta-malas de seu Chevrolet Corsa Classic. Pereira disse que foi abandonado em uma estrada de terra, no extremo Sul da cidade, e que só conseguiu escapar no dia seguinte - às 15 horas de ontem -, após destravar a trinca de segurança do porta-malas.
A vítima fumava um cigarro, do lado de fora da delegacia, quando a reportagem do Comércio chegou ao local. Acompanhado da mãe - uma funcionária pública aposentada -, o jovem narrava os momentos de terror que alegou ter vivido nas 25 horas de sequestro, primeiro ao lado dos bandidos e depois sufocado no porta-malas do próprio carro. Segundo ele, três homens participaram do crime. (CLIQUE AQUI E OUÇA A ENTREVISTA)
“Dois estavam em uma motocicleta e usavam capacete e outro saiu de uma esquina, mostrando um revólver na cintura. Eles entraram no carro e me mandaram dirigir até a estrada de terra perto da Unifran. Lá, eles me bateram e mandaram eu entrar no porta-malas”, disse o vigilante, que alegou ter encostado o carro na avenida para mandar uma mensagem via telefone celular para uma amiga que pretendia visitar na cidade.
Durante todo o percurso, o vigilante imaginou tratar-se de um roubo, mas quando os bandidos disseram que iriam colocá-lo no porta-malas, ele se desesperou. “Me bateram na cabeça e no estômago. Entrei lá e eles rodaram comigo nessa estrada de terra por algum tempo. Depois abandonaram o carro e fugiram. Tentei arrebentar a porta, mas não conseguia”, contou Pereira que, segundo sua mãe, recebeu alta de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos há cerca de um mês.
Muitas horas depois, o vigilante disse ter conseguido puxar a trava de segurança e sair do porta-malas. Ele avistou dois funcionários de uma fazenda próxima e acenou para eles pedindo socorro. Uma vez na fazenda, teve a chance de avisar a mãe que estava desesperada à sua procura. “Não sabia mais o que fazer. Falamos com a Polícia Militar, com os Bombeiros e com todas as pessoas que conhecíamos para tentar descobrir onde meu filho estava. Somente hoje [ontem] à tarde é que ele me ligou dizendo que estava em segurança”, disse a mãe do jovem, Maria Izilda Dias Pereira.
Diante dos fatos, o escrivão da delegacia registrou a ocorrência e encaminhou-a aos cuidados do delegado, que destacou um investigador para acompanhar o caso, solicitando perícia no veículo. Os bandidos, segundo a vítima, eram brancos, usavam correntes em prata e estavam calmos, aparentando serem especialistas neste tipo de crime.
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