Noticia-se que o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, está chocado com o alto custo dos ingressos nos estádios de futebol e, consequentemente, com a baixa presença de torcedores nos jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol, sobretudo nos novos estádios, perdão, ‘arenas’ recém-inauguradas. A afluência dos torcedores aos jogos tem ficado muito aquém do esperado: segundo a ESPN, a média de público no Brasileirão de 2013 é de 13 mil torcedores, contra 45 mil na Alemanha.
O fato, do ponto de vista econômico, afeta, de imediato, a rentabilidade do investimento, do capital aplicado ou comprometido no caso das concessões. Deve ser considerado, também, o aspecto social, uma vez que o afastamento do torcedor de renda mais baixa caracteriza elitização da torcida nos estádios. De uma forma ou de outra, o País ‘patrocinou’ a construção e reforma (quase reconstrução) de 12 estádios, inclusive do mais simbólico deles, o Maracanã. Os gastos chegaram a R$ 8 bilhões, sem falar das isenções fiscais, como no caso do Itaquerão.
Em termos bem simples, como obter o retorno adequado desse montante? Não é só o futebol a atividade capaz de assegurar receita e rentabilidade ao empreendimento. Há outras, é certo, daí até o nome mais atual ‘arenas’, mas o futebol é o mais reluzente, mais chamativo, e o preço dos ingressos, que surpreendeu e chocou o ministro, é a variável principal.
O ‘padrão FIFA’ dos estádios, ao desprezar as arquibancadas e abolir a ‘geral’, promoveu uma mudança nos preços para ver os jogos, situando-os muito além das possibilidades que a renda do brasileiro permite. Isso acabou por acarretar o afastamento de grande parte dos aficionados, fato que alguns chamam de ‘elitização’ da torcida. Essa dicotomia entre preços e renda, vem tirando dos estádios (perdão novamente, das arenas) o sabor e o colorido popular próprios das partidas de futebol aqui no Brasil. É a primeira razão para Sua Excelência, o Ministro, ponderar.
A transferência de craques brasileiros para centros esportivos de maior relevância (econômica) no futebol mundial tem, igualmente, contribuído para a diminuição do interesse do torcedor pelos jogos.
O aspecto fundamental aqui é o poder do dinheiro, a realidade econômica vivida pelos clubes estrangeiros em seus respectivos países, que são, atualmente, os principais centros do futebol mundial como Alemanha, Inglaterra, Espanha, França.
Alguns analistas esportivos insistem que jogadores brasileiros devem se transferir para aqueles centros para aprimorar suas técnicas. Balela. Clara demonstração de subserviência. A questão é econômica. Pura e simplesmente.
Outro aspecto ligado ao desinteresse e ao afastamento do torcedor dos estádios é a qualidade da gestão dos clubes. Em muitos casos amadorística, autoritária, convencional e sem visão estratégica.
Os 8 a 0 imposto pelo Barcelona ao Santos e a inoportuna ‘excursão’ do São Paulo F.C. farão mal à imagem e às finanças dos clubes e do futebol brasileiro. A recuperação, lenta e difícil, será conseguida com a promoção dos ajustes (preço/renda; transferências, gestão esportiva) para o retorno do ‘povão’ aos estádios.
Vicente de Paula Oliveira
Economista
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