Não deixa de ser causa de grande preocupação a constatação, pelo MET (Ministério do Trabalho e Emprego), de uma série de irregularidades em obras que estão em andamento na cidade. Falta de equipamentos básicos de segurança, ausência de tela protetora contra queda de materiais, andaimes irregulares, ‘gambiarras’ nas instalações elétricas e falta de treinamento adequado são alguns dos problemas que levaram ao embargo de seis construções nos sete primeiros meses do ano. De acordo com as equipes do Ministério, a sequência dos trabalhos foi interrompida já que os problemas detectados colocam em risco a saúde dos trabalhadores.
Ainda de acordo com as equipes de fiscais que fizeram as vistorias, outras 12 edificações sofreram interdições parciais. Para evitar possíveis lesões ao operário, o MTE fiscaliza obras com base no tamanho das mesmas e também no volume de reclamações que as construções geram. Se constatada a situação de risco grave e iminente, a fiscalização determina a interdição, paralisação total ou parcial do setor ou o embargo da obra por meio de um termo específico acompanhado de um laudo técnico, que contém as indicações das medidas que deverão ser adotadas pelo empregador.
A fiscalização constata que a maioria das irregularidades decorre da falta de conhecimento dos empregadores ou dos responsáveis pela obra. Também, e principalmente, da falta de tela protetora contra queda de materiais, quando não apenas o trabalhador corre risco, mas igualmente quem transita nas imediações do prédio em construção. Qualquer um está sujeito a receber na cabeça materiais como tijolo, telha ou pedaço de laje, por exemplo. Dependendo da altura da queda, o impacto pode ser fatal.
A par disso, é causa de preocupação também a qualidade da obra. Normalmente dedicado à moradia, qualquer prédio precisa ter um projeto literalmente fundado em bases sólidas e cercado de toda a segurança, para que não venha a apresentar problemas futuros que possam causar danos à integridade física de seus ocupantes. A qualidade é fundamental, para que se evitem tragédias como a do edifício Palace II, no Rio de Janeiro, que no dia 22 de fevereiro de 1998, desabou, por ter sido construído com materiais impróprios. E deixou um saldo macabro: oito pessoas morreram e os moradores perderam tudo - móveis, roupas, pertences pessoais e até objetos de estimação, além de ter a vida revirada do avesso. Este é o caso mais famoso, mas muitos outros ocorreram após.
Não só a queda do prédio pode ocorrer, mas também incêndios por causa de uma instalação elétrica mal feita, além de infiltrações e rachaduras que podem levar à deterioração precoce e à depreciação do imóvel. Há muito mais. Por isso, a questão da segurança é primordial como garantia de que a edificação vai ser concluída de modo a não causar problemas a seus futuros moradores.
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