O jovem francano nunca foi tão politizado: os protestos que tem movimento a cidade desde junho mais do que provam essa declaração. Mas enquanto alguns escolhem as ruas como o cenário ideal para mudar o país, outros desejam agir nos próprios corredores do Congresso Nacional. Esse é o caso dos jovens que se inscreveram no concurso Parlamento Jovem, que tem quatro semifinalistas francanas.
O programa foi criado pela Câmara dos Deputados há dez anos. Ele funciona assim: todo ano, um determinado número de estudantes - de todos os Estados do país - passam alguns dias na Câmara, em Brasília, para conhecer como é a rotina dos parlamentares e vivenciar uma simulação do trabalho legislativo. Este ano, o projeto acontece do dia 23 a 27 de setembro, com os vencedores sendo anunciados já no próximo dia 19.
Serão 11 estudantes de São Paulo que viajarão para Brasília, e 44 já foram pré-selecionados. Para se inscrever no Parlamento Jovem, era preciso fazer um projeto de lei, com tema do seu interesse.
Foi o que a Kerrli e a Maria Eduarda fizeram.Elas são duas das quatro pré-selecionadas de Franca (as outras Thuany de Mendonça e Joyce Helena da Silva, que não foram localizadas pela reportagem) que estão concorrendo a uma das 11 vagas paulistas. Veja abaixo qual é o projeto de cada uma.
REFLORESTAMENTO
A estudante da Escola Estadual Michel Haber, Kerrli de Oliveira, 18, resolveu se inscrever por sugestão do seu professor de Sociologia. Seu projeto foca no reflorestamento para compensar os locais onde são construídos obras de interesse público. “Escolhi falar desse tema porque o meio ambiente e a sustentabilidade são temas atuais, mas muito polêmicos. O governo, junto com o setor privado, está realizando muitas obras, e não está reflorestando. No Brasil, temos um Código Florestal rígido, mas ele não está sendo cumprido pelo próprio governo”, explica. No seu projeto, ela propõe que a quantidade de árvores destruídas seja compensada com novos plantios.
Kerrli se considera politizada, e também participou dos protestos de junho. “O jovem se envolve [na política] para resolver os problemas da cidade. Ele vai atrás, quer resolver e não tem medo.”
PRONTUÁRIO
Se Kerrli teve a ajuda de seu professor, a aluna do Sesi (Serviço Social da Indústria) de Franca, Maria Laura de Figueiredo, 16, contou com o apoio da sua prima, que estuda Medicina em São Paulo. O seu projeto se refere à a implantação de um prontuário eletrônico de pacientes em todos os hospitais públicos e privados.
“Minha prima teve grande influência sobre o tema. Pela sua experiência de vida, ela me falou que não havia esse tipo de prontuários nos hospitais. Aí, tive a idéia de tratar desse assunto no projeto”, diz a estudante. “O prontuário eletrônico evitaria qualquer informação errada sobre o paciente. Se você tem algum problema de saúde e não está em sua cidade, é possível puxar o seu histórico pelo prontuário também.”
Ela deseja visitar o Congresso para entender como funciona a política brasileira na prática. “Não acho que a gente conversa tanto sobre política quanto deveríamos.”
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