São José da Bela Vista tem os piores índices de IDHM na região


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Paulo Sérgio Borges segura retrato de seus pais. Ninguém da família concluiu o ensino fundamental
Paulo Sérgio Borges segura retrato de seus pais. Ninguém da família concluiu o ensino fundamental

As ruas largas e o clima bucólico de São José da Bela Vista, a 28 quilômetros de Franca, revelam que o passar dos anos não alterou a vida dos 8.400 habitantes do município, que aparenta ter parado no tempo. A constatação se comprova no discurso daqueles que nasceram lá e também nos dados do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) do Brasil, divulgado em julho pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O levantamento revela que São José da Bela Vista é a pior das dez cidades que compõem a microrregião de Franca, com a menor renda per capta R$ 548,31 e também o pior índice de escolaridade. O IDHM calcula ainda a longevidade da população. Curiosamente, o município possui o índice mais alto nesse item.

Dentre os dados revelados pelas Nações Unidas, chama a atenção o número de pessoas com 18 anos ou mais que concluíram o ensino fundamental: apenas 39%. Para efeitos de comparação, em Franca, com mais de 300 mil habitantes, essa taxa é de 63%.

A família de Sebastiana Vieira Costa Borges, 56, engrossa as estatísticas. Ela nunca estudou. Seus seis filhos, sendo um adotivo, não terminaram o fundamental. O que mais foi longe na vida escolar é Paulo Sérgio Borges, 33, que finalizou a 5ª série, porém trocou os livros pela enxada, bem como todos seus irmãos, sua mãe e tantos outros bela-vistenses. “Não tinha escolha. Precisava ajudar minha família”, argumentou Paulo Borges, que atualmente vive de bicos. “Aqui existem muitas usinas de cana-de-açúcar, mas agora as máquinas fazem tudo. Quando a coisa aperta, eles (os patrões) chamam gente lá do Nordeste, porque é mais barato.”

Para Sebastiana, a situação é pior que há 40 anos, pois antes era possível trabalhar no campo. “Hoje a única opção é ir para outras cidades. Muita gente daqui vai para Franca fazer todo tipo de serviço”, conta Sebastiana, que aprendeu a ler com a ajuda dos colegas da igreja. Ela, Paulo e outros quatro netos vivem com o dinheiro que o marido João Roberto Lino Borges, 56, ganha com o trabalho rural. “É difícil, mas por aqui é assim. Sempre foi”, finalizou Paulo.

PASSADO E FUTURO
A atual condição de São José da Bela Vista contrasta com a de 19 anos atrás. No IDHM de 1991, o município era considerado o 3º melhor da região, atrás apenas de Pedregulho e Franca, respectivamente. Para a atual administração, a resposta para a defasagem está na baixa arrecadação de impostos, já que a maioria das fazendas que contratam os trabalhadores bela-vistenses estão situadas em outras cidades, deixando o dinheiro dos impostos por lá. A falta de dinheiro impossibilitou investimentos mais profundos na educação.

Para a gestora de Educação e Cultura de São José da Bela Vista, Luziane Menezes Museti, o maior problema consiste em manter as pessoas nas escolas. “A maioria das pessoas aqui vive do trabalho rural e precisa sair de casa muito cedo. Quando eles retornam, estão muito cansados para estudar”, disse.

Com o objetivo de tentar reverter esse quadro, Museti afirmou que a prefeitura está trabalhando para tentar levar algumas empresas para a cidade. Assim, os jovens não precisariam trabalhar no campo ou viajar para outros municípios. “Temos o EJA (Educação de Jovens e Adultos) para o adulto que almeja completar seus estudos e também oferecemos cursos para capacitação de nossos jovens, como o Via Rápida Emprego”, complementou.

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