O Senhor fala através da sua Palavra, que é forte convite à Vigilância!
A fidelidade de Deus se mostra a todo momento e pede que estejamos atentos aos ‘sinais dos tempos’ nos quais Ele nos fala. As leituras bíblicas para hoje são Sabedoria 18, Hebreus 11 e Lucas 12. Vejamos o que o texto sagrado reserva para nossa vida, hoje
PRIMEIRA LEITURA — SABEDORIA 18
O passado é lembrado, sobretudo, por um motivo: para infundir confiança àqueles que estão vivendo no presente. Israel sempre se comportou assim. Em todos os períodos difíceis de sua história, quando se sentiu explorado e oprimido, meditou sobre o seu passado e se deu conta de que o seu Deus sempre o havia protegido, que sempre o havia libertado de todas as escravidões.
Israel é um povo que gosta de lembrar. Lembra sobretudo os prodígios do Êxodo. Na leitura de hoje narra-se que, enquanto os egípcios estavam envoltos pelas trevas, os israelitas eram acompanhados por uma coluna de fogo: o próprio Senhor os guiava por caminhos desconhecidos. Na noite em que abandonaram a terra do faraó, os justos foram salvos e os inimigos exterminados. Eis porque decidiram reunir-se, todos os anos, para celebrar, na noite da Páscoa, estes acontecimentos gloriosos. Também nós, cristãos, temos acontecimento que comemoramos todos os domingos. Nós o celebramos e o tornamos presente novamente porque nele Deus manifestou todo o seu amor e toda a sua fidelidade.
SEGUNDA LEITURA — HEBREUS 11
Quarenta anos depois da morte de Jesus, Jerusalém e seu maravilhoso templo são destruídos. Muitos judeus fogem e se dispersam pelo mundo. Longe da própria terra, alguns deles abraçam a fé cristã, mas sentem-se desanimados.
O capítulo 11 desta carta é dedicado à fé. Começa dizendo que ‘a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito daquilo que não se vê’. Continua, em seguida, lembrando o exemplo de muitos personagens da Bíblia, famosos pela fé. O trecho apresenta os dois mais importantes: Abraão e Sara.
Abraão e Sara morreram sem ter visto o cumprimento da promessa que lhes tinha sido feita. Tiveram um único filho, não uma multidão. Não habitaram na terra prometida, passaram a vidacomo peregrinos, de um lugar para outro, sempre moraram em países estrangeiros. Aí está: Abraão e Sara só viram um pequeno sinal, um início da realização das promessas: um filho fraco e uma terra vista só de longe; mas, não obstante isso, acreditaram.
Também nós, como os judeus aos quais foi endereçada a carta, somos levados ao desânimo. Na terra inteira, na nossa pátria, nos nossos povoados, também comunidades cristãs continuaram as lutas, traições, infidelidades, a corrupção. Estas são as horas nas quais a nossa fé é submetida a duras provas. Estas são as oportunidades nas quais devemos continuar acreditando, como fizeram Abraão e Sara, dando-nos por satisfeitos por ver, de vez em quando, algum sinal daquela salvação plena, que com certeza virá.
EVANGELHO — LUCAS 12
No trecho do evangelho de hoje, Jesus dirige exortação a seus discípulos: ‘Não temas, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o reino’. Eles sentem medo. Sabem que são poucos e fracos, diante de um mundo hostil. Depois, Jesus entra diretamente no assunto e responde à primeira pergunta: Como se pode ‘ser rico diante de Deus’? É muito simples, afirma Jesus: ‘vendei o que possuís e dai esmolas...’. Essa reflexão é repetida diversas vezes na Bíblia. ‘De fato o homem passa como uma sombra, e é em vão que ele se agita; amontoa, sem saber quem recolherá’. Melhor, muito melhor, é guardar no céu, onde os ladrões não chegam e onde a traça não corrói. À segunda pergunta: ‘Como não ser surpreendido?’ Jesus responde com três parábolas. A vida dos discípulos é, portanto, uma espera vigilante, uma permanente disponibilidade para o serviço. Mas quando virá o Senhor? Ele poderá chegar, ou melhor, ele chega a qualquer hora. É ele que bate à porta sempre que um irmão precisa de nós e nos pede socorro. Se alguém guarda na sua casa uma grande quantia de dinheiro, não se afasta sossegado porque sabe que o ladrão não avisa, chega de repente.
É estranha esta parábola! O Senhor se apresenta como um ladrão. Vem de improviso, espera o momento em que o homem está menos preparado, pega-o de surpresa e inviabiliza todos os seus projetos. Mas então, qual é o sentido da parábola? Como faz o ladrão, ele espera o momento mais conveniente, não para roubar, é evidente, mas para salvar e é preciso estar de prontidão para recebê-lo, para que a sua vinda não seja em vão.
A terceira parábola constitui a resposta de Jesus a Pedro, que lhe pergunta quem deve manter-se vigilante. Todos, responde o Mestre, devem vigiar, mas sobretudo aqueles que na comunidade são os responsáveis por algum ministério. Há, explica ele, dois tipos de administradores: um fiel e prudente, o outro negligente e arrogante. Qual é a tarefa que lhes foi designada? O senhor os estabeleceu sobre os seus operários ‘para lhes dar, a seu tempo, a sua medida de trigo’. Portanto, não se lhes deu autoridade para dominar, mas para servir. Consideremos, por exemplo, o encarregado de alimentar a comunidade com o pão da palavra de Deus. Ele é um ‘administrador sábio e fiel’ quando, desde o primeiro dia da semana, começa a ‘cozinhar’ a homilia, estuda diligentemente as leituras, prepara os ‘ingredientes’ (os exemplos, as comparações simples), para torná-la saborosa e de fácil digestão. Deste modo, aos domingos, todos os membros da sua comunidade podem se alimentar com apetite e voltar para suas casas satisfeitos. Há outros administradores que, em vez de se considerar servos, assumem o papel de senhores: batem nos empregados e empregadas, desperdiçam os bens, entregam-se a todo tipo de farra possível. Ai desses animadores comunitários, diz Jesus, que se comportam deste modo! A responsabilidade deles é muito grande e a prestação de contas será muito severa para eles.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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