Contrato do lixo em Franca sobe duas vezes em apenas um mês


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Coletores de lixo da empresa Leão Engenharia são vistos em imagem de arquivo na rua Heitor dos Prazeres
Coletores de lixo da empresa Leão Engenharia são vistos em imagem de arquivo na rua Heitor dos Prazeres

O contrato para coleta de lixo em Franca ficará ainda mais caro a partir do mês de setembro. O aumento deverá ser em torno de 5%, o que elevará o valor médio do contrato dos atuais R$ 13,8 milhões por ano para aproximadamente R$ 14,4 milhões pelo mesmo período. O contrato entre a Prefeitura e a empresa Leão Engenharia, responsável pelo serviço de coleta e varrição de ruas no município, prevê o reajuste anual de preços dos serviços unitários, de acordo com IPC-Fipe, que mede a inflação. Os gastos com o serviço subirão pela segunda vez em um mês após o aditamento de 20% do contrato oficializado no início de agosto.

Antes desse aditamento, publicado na imprensa oficial de Franca no último dia 3, a Leão Engenharia recebia cerca R$ 11,5 milhões por ano. A esse montante foram acrescidos 20% a partir deste mês. A justificativa da Prefeitura para o aditivo foi a execução dos serviços em nova metodologia, que inclui a mecanização parcial de atividades, como a varrição de ruas. O crescimento da cidade, com o surgimento de nove novos bairros, também foi apontado como justificativa pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), na quarta-feira, 7, durante coletiva de imprensa.

Para Antonio Carlos Menezes, advogado da Colifran - empresa que ficou responsável pela limpeza de Franca por oito anos e participou da licitação em 2011- o crescimento da cidade não justifica o aditamento, que segundo ele seria “ilegal”.

Menezes aponta que o pagamento da Leão “é feito por medição e não pelo quantitativo fechado”. Ele exemplifica que se forem varridos 10 mil quilômetros, a empresa ganhará sobre essa metragem. “Aumentou bairro, varreu 11 mil, já ganha sobre 11. Então não há que se falar que tem que fazer aditamento”, disse.

A Prefeitura alega que para melhorar a limpeza da cidade, está comprando mais serviços pelo mesmo valor unitário apresentado na concorrência. Pela Lei de Licitações, é permitido o aditamento de até 25% ao valor inicial do contrato.

O advogado da Colifran contesta. “O contrato está sob judice. Tem um mandado de segurança que nem foi julgado. Esse contrato não poderia ser mexido”, argumenta (leia mais ao lado).

DADOS
A secretária municipal de Finanças, Neide Lopes, diz que o valor pago à Leão varia entre os meses. O motivo seria a quantidade de ruas varridas, o mato cortado e o volume de lixo coletado.

Neide destaca que em épocas de chuva o valor sempre é mais alto porque o lixo molhado pesa mais e o mato cresce com mais intensidade. Ainda de acordo com a secretária, o valor mensal pago à Leão não pode ultrapassar R$ 1,15 milhão.

O Comércio solicitou os extratos de pagamento que a Prefeitura efetuou nos últimos 12 meses à Leão Engenharia, mas os mesmos não foram fornecidos. Durante toda a sexta-feira, 9, a reportagem tentou falar com a secretária pessoalmente, por telefone e via assessoria de imprensa, mas ela não atendeu. No dia anterior, Neide garantiu que informaria os valores gastos com a limpeza urbana. “Amanhã [sexta-feira] até às 10 horas eu passo”. Mas o compromisso da secretária foi apenas uma promessa.

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