Analisar o todo


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Decisões eficazes resultam de capacidade de análise sobre o todo. Olhar ‘micro’ enseja erros

A cidade comenta preocupada. Há uma semana, foi anunciado o fim do Proerd, de prevenção contra drogas, aplicado nas escolas de ensino fundamental desde 1996, pela Polícia Militar. A opinião geral é que alguém errou, e em questão onde descuidos são iguais a mais crianças e jovens nas drogas! Segundo a secretária Fabiana Sampaio, da Educação, a supressão do programa foi o volume de programas adotados pela rede de ensino: ‘descobrimos que a quantidade atrapalha o desenrolar da grade curricular’.

A explicação não convenceu. O Proerd tem tempo de estrada e resultados que não podem ser contestados. Tenho declarações de pais que reconhecem, no Proerd, a ferramenta que fez bem a seus filhos quanto ao perigo das drogas. Prevenção vale, desde que exercitada por gente treinada e revestida de autoridade. É o caso do programa. Só policiais militares treinados são autorizados a palestrarem. Além do discurso, têm, contam com as experiências da guerra intensa que travam nas ruas, todos os dias.

A secretária Sampaio, ao que parece, ainda tenta se adaptar ao trabalho executivo, professora de reconhecida capacidade atuava em escolas. Escorregou no ‘apoio’ que ofereceu a professores que participaram de manifestação pública por plano de carreira e melhor remuneração nas ruas da cidade, e, depois ‘desapoiou’, certamente determinada por seus superiores. Escorregou de novo ao cortar o Proerd, sem consultar professores, pais de alunos, alunos, a comunidade ou, muito menos, agentes policiais que ministravam as aulas. Penso que, novamente, foi determinada a fazer, e desta forma.

Eu soube que a PM, surpreendida pela decisão, ligou a autoridades perguntando sobre o fim do programa, o que indica que não recebeu comunicação anterior. Ontem, conversei com algumas de minhas fontes. Pode não ser a razão exata da questão, mas permite pensar: o Proerd é um programa ‘pobre’, de prevenção ‘falada’. Será trocado pelo ‘Crack, é possível vencer’, um programa ‘rico’, de ‘prevenção praticada’, de grandes recursos, bancado pelo governo federal. Gerencialmente falando, está certo. O município, aliás, fechou parceria neste sentido, em 23 de junho. Está no site da Prefeitura: ‘a secretária municipal de Saúde (...) Rosane Moscardini Alonso participou (...) em São Paulo, de ato com o Ministério da Justiça’, formalizando ‘adesão da Prefeitura ao programa ‘Crack, é Possível Vencer’’. Cerca de R$ 6 milhões devem ser repassados ao município ‘para convênios com comunidade terapêuticas, instalações de consultórios de rua, melhorias nas estruturas dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial)’, diz o site municipal, disponível em http://www.franca.sp.gov.br/portal/noticias/ noticias-da-saude/franca-formaliza-adesao-no-programa-crack-e-possivel-vencer.html. Não há indicação sobre data de implementação, mas, pode ser 2014.

Consultei detalhes do programa federal (está em http://www.brasil.gov.br/crackepossivelvencer/publicacoes/crack-e-possivel-vencer-1/at—download/file). À página 26, lê-se: ‘Capacitação de 210 mil educadores e 3,3 mil policiais militares educadores do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência - Proerd. Atuação em 42 mil escolas - Alcance de 2,8 milhões de alunos/ano’.

Ora! Se agentes do Proerd serão capacitados para atuar segundo o novo programa, porque afastá-los agora, deixando milhares de crianças desavisadas sobre drogas até ano que vem? Alguém acha que os senhores das drogas respeitarão esse intervalo de tempo? As crianças não restarão desprotegidas? Será que ninguém viu o todo do plano antes de decidir pelo corte do relevante serviço da PM?

Senhores! Tomem decisões observando o todo. Quem olha micro, deixa para lá as intercorrências macro, estas sim, indispensáveis de serem analisadas profundamente. Reflitam. Repensem. Voltem com o Proerd, e, depois, dinheiros em caixa, adequem os agentes. Não deem chances ao inimigo!

AVAL
A primeira-dama do Estado de São Paulo, Lu Alckmin, para quem não sabe, é madrinha do programa Proerd, da PM. Foi outorgada em setembro de 2011. Em Franca, na ocasião dos Jogos do Idoso, recebeu policiais que aplica(va)m o programa na cidade e lhes disse: ‘Franca é uma das poucas cidades do Estado onde o Proerd está presente em quase todas as escolas’. Considerava isso, motivo para que a cidade se orgulhasse. Afirmou, também, que era ‘preciso manter o trabalho’. Já contaram a ela que, aqui, o ‘preciso’ foi por água abaixo?

’COMO PERDER ELEITORES’
Os vereadores Adérmis Marini e Márcio do Flórida levaram o Comércio de sábado passado, com minha coluna “Como perder eleitores” (leia em http://gcn.net.br/jornal/index.php?codigo=219121), para o plenário da Câmara, terça-feira, dia de reunião ordinária do Legislativo. Adérmis foi a tribuna: “Precisamos voltar para o prumo e refletir os nossos atos. Caso contrário, seremos condenados politicamente”. Agradeço-lhes por entenderem a mensagem. Espero que mesmo os que não se manifestaram, tenham lido. Aquele grito não é só meu. É das pessoas que os elegeram, e hoje, têm uma nova consciência. Agradeço também ao Toninho Menezes, que citou meu texto em sua coluna do domingo, dia 4. Ainda, a Edson Arantes e Corrêa Neves Júnior, por terem falado sobre, no programa ‘A Hora da Verdade’ da rádio Difusora. Como tenho dito, há luz no fim do túnel!

CARTAS DE LEITORES
O tema de redação do Saresp, este ano, volta a ser ‘Cartas de Leitores’. Recebi, e aceitei, dois convites para palestras com professores e coordenadores de escola, nos dias 27 e 29 deste mês. Cartas-comentários expressam a temperatura do livre-pensar das pessoas sobre o cenário do País, nossas cidades, nossos grupos de relacionamento. Anda alta, queimando, cobrando, exigindo um Brasil melhor, mais ético. Agradeço a oportunidade de falar sobre.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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