A menina de mel aspirando ao frescor da brisa vinha com suas fitas de sol no cetim amarelo e laranja das vestes, flamejava densamente, a alma... Olhos nas conchas que refletiam tanta luz desperdiçada, luz da lua em noite anterior dentro do meu café no meu peito e não na concha. Caneca de cerâmica e louça imóvel no escuro da casa esquecida esperava por mais uma noite enquanto a manhã mais clara do ano de minha consciência trazia nas palavras do jornal prognósticos do caos eterno, porque não era sábado e em suas mãos vazias o tempo aliteral levava a grande distância ante as conchinhas e o meu inverno passado em passos incansáveis de canguru nos chinelinhos havaianas bordados com miçangas cor de rosa nesse dia que rolava inchado como um paradoxo sem fim de uma pérola prisma que brilhando ofuscantemente em transparências ganhava sua marca; ali, o início do novo, um ciclo vício vital. Enquanto explodem coceguinhas no céu da boca com aquele pirulito molhado no pozinho de uva que segurei até agora pouco e não era para ter chupado. Tiro-o da boca e vejo que pensava longe, estava em você.
E a Bolha nosso mundo de sabão dança graciosa ao vento e explode me enchendo de um verão em pleno mês de julho.
Foi só depois com ela adormecida em minhas coxas enquanto assistia ao episódio do Gato Felix em Hollywood de 1923 que pensei na efemeridade da crença e da paixão e desejei que fosse Amor tudo, mesmo sabendo que o sistema circundava-me com a fragilidade irmã dessa criancinha.
Havia casquinhas de ovos pelo chão do cinegrafista que em câmera lenta filmava minha insegurança junto aquelas lentes de aumento que me captavam com minha mini antropóloga em seus sonhos de escavação como um cão na grama verdinha pensando cavar muitos planetas.
Emprestam-me lembranças e laços delicados de carinho gratuito, novas camadas de céu, azul infinito e íntimo de nuvens evaporadas todas por conta do sentido que eu me propus a dar, porque Amor não é paixão não é raso de esforços, Amar é estar junto e querer o bem apesar de, embora isso ou aquilo. E é aqui nesta quinta colher de brigadeiro que me reconheço fora de uma máscara de medo feita de espelho, eu tenho trabalhado a maturidade do amor sem grandes paixões e devaneios. Tudo que havia de chuva já passou por hora. E serão bem vindas as novas águas que virão lavar o que sobrou do imundo desmundo. Estou ansiosa para me encharcar junto deste seu entusiasmo.
Mais altivo estamos, nunca completamente puros... Então das águas precisamos, repetindo mantras de ordem interna em pedestal da banda de Deus Celestial, te levo junto, faremos um flow livre e recuperado do perco de Mefisto. Carrego-te em teu repouso de cílios no dorso morno.
Venha, Fausto! Vamos recolorir o céu conceitual com o perdão de nossas cores surreais.
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