Querido papai


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Com certeza você aí onde hoje mora, está aguardando a minha cartinha, como acontece em todos os anos no Dia dos Pais, data comemorada aqui na Terra, e, quem sabe, aí no céu também.

Eu, como você sabe, sempre gostei de contar sobre o que tenho feito por aqui, isso, pai, desde o tempo em que vivemos juntos na Terra, lembra?

Agora, pai, vou lhe dizer o que ando fazendo no momento. Mas você não vai contar a ninguém, nem aos anjos, nem aos santos. Fico muito sem graça em confessar que não consigo me engajar na arte da tal computação. E saiba, pai, que eu tenho me esforçado e até professora particular eu contratei. Mas penso também que se as crianças aprendem com tanta facilidade, por que não vou aprender? Será que a idade importa, pai? Mas e a minha experiência de vida?...

Imagina que até comprei um notebook que não custa barato,e vou pagando em dez prestações, com a esperança de que logo estarei navegando pelo mundo dos internautas, buscado as tão faladas redes sociais; legal heim pai? Por enquanto só estou conseguindo ligar e desligar o tal aparelho, que para mim já é um caminho andado e muito melhor seria se não houvesse aquele bichinho esperto que corre de lá pra cá na tela do notebook. É o tal do mouse que chega a lugar nenhum.

Mas uma coisa eu garanto, pai, vou aprender, mesmo que para mim seja um bicho de sete cabeças. Quem sabe um dia poderemos nos comunicar, você e eu, através da tal Internet, eu aqui na Terra e você ai no céu. Legal, né pai!?

Se tal milagre não acontecer, o jeito é colocar um anúncio em página do jornal Comércio da Franca, assim: “Vende-se um notebook, com pouco uso e por preço de pechincha”. Se eu não vender aqui na Terra, você me ajuda ai em cima no céu. Tá, pai!?

Estou com muita saudade. Amo você demais.

Feliz Dia dos Pais e muitos beijos da filha

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