Anfitriã


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Anos 60. Raríssimos artistas vinham a Franca. Sem elenco das emissoras de TV para eleger celebridades, a fonte era a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Cantores. Fora dos holofotes tinham conduta, digamos, quase normal. Escândalos, ao invés de alavancar notoriedade, motivavam forte repressão social. Se não eram anjos, mostravam-se discretos quanto às estripulias nas vidas particulares. Coroava-se anualmente a Rainha do Rádio, e até as Forças Armadas, sem preocupações bélicas, achavam tempo para eleger favorita no reino artístico. A da Marinha era Emilinha Borba. Contratada, veio a Franca. Ao chegar, não foi para hotel: hospedou-se com Cybele e João Palermo, na casa que fica de viés com também antiga residência na Rua Ouvidor Freire, ambas preservadas. A apoteótica apresentação de Emilinha Borba deu-se no Teatro Santa Maria, nas imediações. Ao final do show, Emilinha ganhou imensa caravela embrulhada em papel celofane que não pode levar quando partiu: o comandante não autorizou o transporte manual porque considerou o celofane material altamente inflamável. Seria como levar chama acesa nas mãos, alegou. Frustração de ambas as partes, dela e dos fãs presentes. Cibele guardou o presente e tempos depois a caravela foi para o Rio, de carro. ‘A minha, a sua, a nossa favorita: Emilinha Borba!’ - assim era anunciada - voltou a Franca quatro décadas depois. Chegou de carro: o avião terminou a rota em Ribeirão Preto. Cantou no Castelinho - antigo. Ficou em hotel. E Cybele, sua primeira anfitriã, que aparece em primeiro plano na foto com Sônia Menezes Pizzo, grande amiga, não morava mais na cidade. No momento da foto - era carnaval - talvez elas cantassem Tomara que Chova ou Chiquita Bacana, grandes sucessos carnavalescos da cantora. (Escandalosa e Dez anos, eram hits nos outros meses do ano.) Emilinha faleceu em 2005, com 82 anos. de Janeiro. Cantores. Fora dos holofotes tinham conduta, digamos, quase normal. Escândalos, ao invés de alavancar notoriedade, motivavam forte repressão social. Se não eram anjos, mostravam-se discretos quanto às estripulias nas vidas particulares. Coroava-se anualmente a Rainha do Rádio, e até as Forças Armadas, sem preocupações bélicas, achavam tempo para eleger favorita no reino artístico. A da Marinha era Emilinha Borba. Contratada, veio a Franca. Ao chegar, não foi para hotel: hospedou-se com Cybele e João Palermo, na casa que fica de viés com também antiga residência na Rua Ouvidor Freire, ambas preservadas. A apoteótica apresentação de Emilinha Borba deu-se no Teatro Santa Maria, nas imediações. Ao final do show, Emilinha ganhou imensa caravela embrulhada em papel celofane que não pode levar quando partiu: o comandante não autorizou o transporte manual porque considerou o celofane material altamente inflamável. Seria como levar chama acesa nas mãos, alegou. Frustração de ambas as partes, dela e dos fãs presentes. Cibele guardou o presente e tempos depois a caravela foi para o Rio, de carro. ‘A minha, a sua, a nossa favorita: Emilinha Borba!’ - assim era anunciada - voltou a Franca quatro décadas depois. Chegou de carro: o avião terminou a rota em Ribeirão Preto. Cantou no Castelinho - antigo. Ficou em hotel. E Cybele, sua primeira anfitriã, que aparece em primeiro plano na foto com Sônia Menezes Pizzo, grande amiga, não morava mais na cidade. No momento da foto - era carnaval - talvez elas cantassem Tomara que Chova ou Chiquita Bacana, grandes sucessos carnavalescos da cantora. (Escandalosa e Dez anos, eram hits nos outros meses do ano.) Emilinha faleceu em 2005, com 82 anos.

(Lúcia H. M. Brigagão)

(Lúcia H. M. Brigagão)

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