Quando criança eu desejava ser santo.
Quanta coisa eu desejava quando menino!
Agora adulto, estou farto de não Ser,
enquanto desejo Ter.
Ser santo, sob a minha ótica pueril,
era ser muito nobre
Era fabuloso mesmo, sonhar sê-lo.
Ainda que mutilasse a carne.
E ainda que eu nem desconfiasse
das implicações desse título católico.
Naquele tempo eu apenas via
o santo de barro frio.
Ainda não sabia que correra sangue
por suas veias santas.
Hoje sei, duramente,
que Santo não nasce santo.
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