Suspensão do Proerd?


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Assustei, quando na manhã do dia 3 de agosto li, neste Comércio, a matéria ‘Prefeitura suspende Proerd nas escolas’. Ainda não consigo entender como que o programa de educação preventiva ao uso de drogas foi descartado pela prefeitura de Franca. Será que foi realizado algum estudo sobre o impacto positivo desse projeto com os alunos? Perguntaram a opinião dos professores que estão diretamente em contato com a realidade das escolas de Franca? E os pais destes alunos, o que acham? Acredito que o diálogo pode ser essencial neste momento.

Senhora secretária, Fabiana Sampaio. Trabalhei durante seis anos no Conselho Tutelar de Franca em luta incansável, numa angústia extrema ao ver o sofrimento das nossas crianças e adolescentes usuários de drogas em Franca, que não recebem a mínima atenção do governo municipal. O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) da cidade é uma vergonha, destinado apenas a adultos. Atende precariamente alguns adolescentes, o que é um absurdo. Além do mais, não tem nenhuma estrutura para atendimento adequado. Com isso, um dos únicos programas que existem na cidade de Franca para crianças e adolescentes é o Proerd (Programa de Educação Preventiva ao Uso de Drogas). E agora, suspenso?

Que absurdo. É inadmissível. Não não podemos aceitar! Por favor, conselheiros do CMDCA (Conselho Municipal do Direito da Criança e Adolescente), o que vocês estão fazendo perante essa situação? Os direitos das nossas crianças e adolescente estão sendo violados diariamente, e o que estamos fazendo?

Precisamos urgentemente unir forças com a sociedade civil, com as ONGs, com os meios de comunicação, com os educadores, com as faculdades e o poder público para que, todos juntos, lutemos contra as drogas, esse mal que assombra nossas casas. Novos projetos de prevenção e, mesmo, para tratamento, precisam ser criados para ajudar nessa batalha. Também, e especialmente, é de suma importância que os projetos já existentes sejam mantidos e recebam novos incentivos.

O envolvimento com drogas é o grande motivo da evasão escolar no município de Franca. A maioria dos encaminhamentos das escolas estaduais ao Conselho, é devido às drogas. O Conselho Tutelar tem ficado sem alternativas quando mães procuram por atendimento para seus filhos dependentes químicos. A única opção é encaminhar à Defensoria Pública para ingressar com ação na Justiça solicitando atendimento público, e mesmo assim, não conseguem.

Além de conviver com diversos problemas dentro de casa, essas mães são discriminadas pelos órgãos responsáveis, vivem um verdadeiro calvário tentando atendimento a seus filhos. Vão ao CAPS, solicitam laudo médico, mas não conseguem agendar. Quando conseguem, não têm mais forças para levar o filho que, muito das vezes, já está enfurnado no vício que o leva para extrema precarização da vida. Os nossos adolescentes estão pedindo por socorro. Vamos deixar que outros caiam nessa mesma situação degradante? Imploro: precisamos trabalhar na prevenção. Aumentar!, e não, suspender!!!

Gláucia Limonti
Pedagoga, conselheira tutelar nas gestões 2007-2010 e 2010-2013

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