É de entristecer a situação por que passa a Associação Atlética Francana, mais precisamente o seu time de futebol. As denúncias sobre as condições precárias oferecidas para os atletas, que podem levar a agremiação a abandonar a disputa da Copa Paulista, tornam-se uma verdadeira pá de cal nas glórias e na trajetória vencedora da querida ‘Veterana’ da Simão Caleiro. Clube centenário, criado e mantido ao longo dos anos por abnegados, hoje se vê enredado em dívidas e ainda não fechou as portas por causa de aficionados que teimam em tentar reeditar uma glória que não existe mais.
Infelizmente, é preciso reconhecer que, pela conjuntura do futebol atual, aqueles domingos de estádio lotado estão muito distantes. A concorrência com a massificação dos esportes (e não apenas futebol) pela televisão tem sido cada vez mais acirrada. Porém, vamos ficar apenas no exemplo do futebol. Hoje, pagando-se menos do que o valor de um ingresso, a televisão a cabo, principalmente, leva ao espectador jogos dos mais variados, desde seu time do coração até partidas realizadas nos mais distantes pontos do planeta. Então o comodismo tem tirado o torcedor dos estádios e no caso de equipes que disputam as divisões menores do campeonato estadual, como a Francana, esta fuga de público é avassaladora e praticamente irreversível.
Junte-se a isso o fato de que o torcedor esmeraldino, que chegou a lotar o estádio municipal — entre 15 mil e 20 mil passavam pelas bilheterias do ‘Lanchão’ a cada rodada no final da década de 1970 e início da de 1980 —, não se sente animado em deixar o conforto de sua casa e acompanhar uma partida na TV envolvendo grandes nomes do futebol brasileiro ou mundial para prestigiar ao vivo times que já chegaram a beirar o ridículo. Quem teve a chance de ver grandes jogadores atuando em Franca, além dos ídolos locais que mantiveram a tradição dos esquadrões dos anos 1850 e 1960, não se contenta com atletas desconhecidos, de técnica duvidosa e qualidade idem.
O esquema que tem mantido a Francana disputando a série A3 do Campeonato Paulista, ou torneios caça-níqueis como a atual Copinha, já se mostrou totalmente equivocado e inapropriado para o futebol nos dias de hoje. Entregar a responsabilidade pela montagem do time a empresários sem nenhuma ligação com a cidade ou o clube não é o melhor caminho para as tradições da ‘Veterana’. A Francana, que nos últimos 20 anos teve duas chances reais de retornar à elite do futebol paulista, hoje vive melancolicamente de suas glórias passadas. Se nada for feito, se uma saída não for encontrada, pode chegar verdadeiramente ao fundo do poço e não encontrar mais forças para emergir. É triste acompanhar esta situação que não condiz com a história esmeraldina e não faz jus à pujança de uma cidade do porte de Franca.
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