Demitidos protestam no Distrito Industrial contra a Tenny Wee


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Funcionários demitidos colocaram fogo em camisetas do uniforme da Tenny Wee em protesto na porta da empresa
Funcionários demitidos colocaram fogo em camisetas do uniforme da Tenny Wee em protesto na porta da empresa

Quinze dias após serem demitidos, ex-funcionários da empresa Tenny Wee foram ontem até a porta da fábrica, no Distrito Industrial, para protestar pelo pagamento dos seus direitos trabalhistas. A manifestação, pacífica, começou por volta das 8 horas e reuniu um grupo de 25 pessoas que gritavam e exibiam cartazes contra a empresa. À tarde, o grupo voltou a se reunir, dessa vez na Praça 1º Maio, próximo ao Ministério do Trabalho e da Justiça do Trabalho, como forma de pedir ajuda aos órgãos para solucionar o caso. As demissões aconteceram no último dia 24 de julho, quando 270 funcionários foram desligados pela empresa. Na ocasião, a Tenny Wee alegou queda nas vendas.

Com o apoio do Sindicato dos Sapateiros, os ex-funcionários chegaram cedo à porta da fábrica na quarta-feira para cobrar explicações do diretor Alexandre Henrique. Empunhando cartazes com os dizeres “Cadê o meu dinheiro?”, eles exigiam a presença do empresário e uma resposta sobre quando terão acesso ao pagamento do salário de julho. “É uma vergonha. Ninguém recebeu e não nos é dada nenhuma satisfação”, gritava o revisor Linyker David.

Ao lado da filha, a sapateira Valquiria Caetano protestava por não ter conseguido dar entrada no Seguro Desemprego pelo fato de seu Fundo de Garantia não ter sido depositado. “Tenho contas para pagar e não posso ficar esperando. Trabalhei e quero receber.”

Revoltados, os trabalhadores caminharam ao redor do prédio da fábrica várias vezes gritando “Alexandre, cadê você, eu vim aqui só receber”. Eles pisotearam e queimaram cinco camisetas de uniforme no portão de entrada da empresa. Apesar do protesto, o empresário não atendeu os ex-funcionários que foram embora por volta das 10h30.

Para o diretor do Sindicato dos Sapateiros, Luís Borges de Lima, os protestos são válidos e os ex-funcionários estão dentro dos seus direitos, mas não há como obrigar o empresário a fazer os pagamentos diante do pedido de recuperação judicial feito pela empresa. “O pagamento e o acerto serão feitos, porém, ainda não temos uma previsão. Precisamos esperar o prazo de 60 dias para apresentação do plano de recuperação”, disse Lima.

AJUDA
Ainda ontem, o Sindicato dos Sapateiros informou que conseguiu junto ao Ministério do Trabalho agilizar a liberação do Seguro Desemprego, mesmo sem o depósito do Fundo de Garantia, e o fornecimento de 270 cestas básicas por meio do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), que prometeu também colaborar na recolocação dos demitidos no mercado de trabalho. “Vamos adotar um recurso para comprovar o vínculo de trabalho junto à empresa e, assim, poderemos entrar com o pedido do Seguro Desemprego dos funcionários”, explicou o gerente regional do Ministério do Trabalho, Jamil Leonardi.

As cestas aos trabalhadores demitidos devem ser entregues nos próximos dias.

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